Fonte: Junta da Freguesia de Soajo
Padroeiro: S. Martinho
Habitantes: 1.162 habitantes (I.N.E.2001) e 1.457 eleitores em 31-12-2003.
Actividades económicas: Agricultura, pecuária e construção civil.
Festas e romarias: Festas de Agosto (12 a 15 de Agosto), S. Martinho /11 de Novembro), Senhora das Dores, Senhora da Guia, Senhora da Conceição, Senhora da Paz, Senhora da Fátima, Senhora do Livramento, Santa Filomena, Santo António, Santa Luzia, S. José, S. Sebastião e S. Miguel.
Património cultural e edificado: Casa da Câmara, Casa do Enes, pelourinho e antas da serra de Soajo, conjunto de espigueiros.
Outros locais de interesse turístico: Parque Nacional da Peneda do Gerês, lugares de Mezio e Eiró e barragem do Lindoso.
Gastronomia: Cabrito à moda do Soajo, arroz de cabidela, arroz de sarrabulho, cozido à portuguesa, costeleta grelhada e queijo branda de cachena.
Artesanato: Trabalhos em madeira e ferramentas tradicionais.
Feiras: No primeiro domingo de cada mês, entre Janeiro e Setembro e, no primeiro dia de cada mês entre Outubro e Dezembro.
Colectividades: Casa do Povo de Soajo, Rancho Folclórico das Camponesas da Vila de Soajo, ADERE — Soajo, Associação para o Desenvolvimento da Região do Soajo, Associação Juvenil de Paradela, Associação Desportiva e Cultural de Soajo, Associação Cultural Soajeira, Associação Amigos Vilarinho das Ouartas, Associação Cultural e Recreativa de Adrão, Associação Desportiva e Cultural de Soajo, Associação Sociocultural dos Moradores de Cunhas, Associação Cultural de Vilar de Suente, Clube Caça e Pesca do Soajo.
ASPECTOS GEOGRÁFICOS
A Freguesia de Soajo pertence ao Concelho de Arcos de Valdevez, Distrito de Viana do Castelo, de cuja sede dista cerca de 20 km. Situando-se em plena área montanhosa do Alto Minho, constitui uma das principais portas de entrada do País pela fronteira orensana da Galiza, fronteira esta que é limitada pelo rio o Castro Laboreiro
Ocupando o seu território uma área de 59,1 km2, confina a Norte com as Freguesias de Gavieira, Cabreiro (Arcos de Valdevez) e Castro Laboreiro (Melgaço); a Este com Espanha; a Sul com as Freguesias de Lindoso, Britelo (Ponte da Barca) e Ermelo (Arcos de Valdevez); a Oeste com as Freguesias de Gondoriz, Cabana Maior e Vale (Arcos de Valdevez). Refira-se ainda a relativa proximidade de outros centros urbanos, nomeadamente Viana do Castelo, Braga e Porto que distam, respectivamente, 40 km, 35 km e 90 km de Arcos de Valdevez.
Soajo é uma Freguesia que, de acordo com a tipologia de áreas urbanas, foi classificada como Área Predominantemente Rural. É composta por muitos lugares que podem ser agrupados de acordo com o distanciamento ao “núcleo” central. Assim, próximos deste “núcleo”, encontram-se os lugares de Bairros, Carreiras, Costa Velha, Cruzeiros, Eiró, Fraga da Mó, Lage, Raposeira , Rio Bom, Teso, Torre, Coucieiro, Fontelas, Veiga e Aqui Del Rei; por sua vez, afastados do “núcleo” central estão Adrão, Cunhas, Paradela, Várzea, Vilar de Suente, Vilarinho das Quartas e Campo Grande.
Na sequência do seu enquadramento geográfico, a área da Freguesia apresenta declives acentuados existindo, no entanto, pequenas manchas de baixo declive onde os solos existentes têm maior aptidão agrícola. Possui uma rede hidrológica intensa, caracterizada pela existência de várias linhas de água que constituem afluentes do rio Lima. Esta característica resulta da elevada pluviosidade que se regista na zona e da própria topografia local.
RESENHA HISTÓRICA
O povoamento da região de Soajo perde-se no tempo. O Santuário Rupestre do Gião — Serra do Soajo — e as inúmeras Antas e Mamoas são alguns dos inúmeros marcos documentais. O primeiro documento escrito data de 950 e refere a partilha de bens entre a Condessa Mumadona Dias e os seus descendentes.
A Municipalidade de Soajo é mencionada nas Inquirições Gerais de 1258, ordenadas por D. Afonso III. Também o Rol dos Besteiros do Couto, datado do reinado de D. Afonso III ou D. Dinis, faz referência ao Julgado de Soajo. Ainda em 1283, na Chancelaria de D. Dinis (1279-1325) na Torre do Tombo, encontra-se o documento respeitante a solução de em pleito ocorrido no Município de Soajo.
Em 1388, no início do reinado de D. João I (1383-1433), o abade da Freguesia de Ermelo, então Município de Soajo, dirige-se ao rei afirmando: «O Mosteiro de Ermelo foi mandado construir por D. Teresa, no Julgado de Soajo. Em 1401, D. João I interditou os nobres, em obediência do que vinha de antigamente, de viverem na terra e no Julgado de Soajo, a pedido dos vereadores da Câmara Municipal de Soajo.
Em 1456, o Concelho de Soajo toma posição sobre matéria referente a tributações de bens comercializados na feira de Valdevez.
De acordo com os arquivos históricos da aldeia do Soajo, a sua fundação remonta ao século I, mas só em Outubro de 1514 obteve Foral de D. Manuel II (1495-1521).Nessa altura, o Concelho de Soajo abrangia as Freguesias de Ermelo e Gavieira.
Em 1657, durante as guerras da Restauração, os povos do Concelho de Soajo tomaram parte activa, junto ao Castelo de Lindoso, batendo-se heroicamente pela Restauração da segunda independência de Portugal, conforme documento publicado em Subsídios para a História da Terra da Nóbrega e Concelho de Ponte da Barca, da autoria do Professor Avelino de Jesus Costa.
O conjunto orográfico na região nordeste, entre os rios Minho e Lima, foi particularmente acarinhado pelos primeiros reis de Portugal, pois nele foi instituída uma das primeiras montarias de Portugal. Na verdade, a montaria real foi criada sobre esta Serra e nela se exerceu jurisdição até ao ano de 1831, pelo Monteiro-Mor, coadjuvado pelos Monteiros-Menores. Assim, durante muitos séculos, esta área foi protegida nas suas vertentes de fauna e flora, pela gestão e fiscalização superior do representante régio que era o Monteiro-Mor. Até 1861, data da publicação da Carta Entre Douro e Minho do General Nicolau Traut, este espaço montanhoso foi exclusivamente denominado por Serra de Soajo. A partir desta data, erroneamente, esta área geográfica de montanha também passou a ser designada por serra da Peneda. Tal verificou-se devido ao facto de na área do Concelho de Soajo constar na já mencionada Carta a toponímia “Serra da Peneda”, substituindo Serra d’ Soajo. Este procedimento criou tal confusão que, ainda hoje, se mantém.
Em virtude da principal actividade dos habitantes da região ser a caça, estes eram designados por “monteiros”. As principais espécies capturadas eram ursos, javalis, cabras-bravas, lobos e raposas.
Segundo Pinho Leal, esta Freguesia «teve grandes privilégios, entre eles o de não darem alojamento às tropas, nem soldados, em tempo de guerra, e só iam a ela no seu couto, ou quando fosse o rei em pessoa». De facto, pelos documentos existentes na Torre do Tombo, constata-se que os Monteiros do Soajo gozavam de privilégios ímpares relativamente às demais Coutadas e Montarias Reais, em virtude da sua situação estratégica e das suas belezas naturais.
No princípio do século XIV, o rei D. Dinis esteve em Soajo, tendo aumentado os privilégios, designadamente que nenhum fidalgo se demorasse aqui «mais tempo do que o necessário para se esfriar um pão quente, posto ao ar, na ponta de uma lança». Por sua vez, D. João 1 ordenou aos monteiros que aqui proibissem a residência de cavaleiros.
Documentos datados do início do século XVII referenciavam já Soajo como Vila, admitindo-se que essa categoria resulta da erecção do Pelourinho, segundo norma existente na chancelaria de D. Afonso V.
Na sequência da Reforma Liberal, a 17 de Fevereiro de 1852, Soajo viria a perder o direito a ser sede de Concelho. Mesmo assim, a Freguesia nunca foi esquecida e ainda hoje é muito divulgada e procurada. Inserindo-se numa região caracteristicamente rústica, as suas ruas pavimentadas com lajes de granito e casas construídas com blocos do mesmo inerte ainda constituem uma realidade e Soajo.
A vida em comunidade sempre foi muito importante nesta aldeia. Até há cerca de um século, Soajo tinha um juiz eleito pelo povo.
Juiz de Soajo
Lenda ou realidade, a história do juiz de Soajo, Ti Sarramalho, é por todos conhecida, sendo ele o símbolo da inteligência e justiça de todo o povo da Vila de Soajo.
O Juiz Sarramalho era um dos homens bons da terra, de passagem para a sua terra natal, deparou com um crime de morte de um indivíduo, sendo testemunha ocular.
O caso foi submetido a julgamento e face às provas testemunhais tinha de sentenciar. Proferiu então o seguinte veredicto: “Morra que não morra, dê-se-lhe um nó que não corra, ou degredado toda a vida e com cem anos para se preparar”.É claro que esta decisão não foi entendida pela maioria das pessoas. A sentença subiu às instâncias superiores e por recurso. Foi então, chamado o Juiz de Soajo, para justificar e explicara sentença dada.
Cansado de tanto esperar de pé, pelos juízes do Tribunal da Relação, tirou a sua capa das costas e sentou-se nela, no chão.
Após ter justificado a sentença, retirou-se. Sendo chamado, quando descia as escadas, que se esquecera da capa. De maneira digna, respondeu com altivez: “O Juiz de Soajo, cadeira onde se sentou, nunca consigo a levou.”
Já no reinado de D. Afonso III se fazia referência à existência do julgado de Soajo, a avaliar pelas várias disposições legais, compiladas por especialistas, que afirmam a existência desse julgado nas reformas administrativas, no século de 1800.
No território de jurisdição do Julgado de Soajo exerceram as suas actividades vários juízes ordinários e não apenas o mais conhecido e sempre referenciado Ti Sarramalho.
Após a eliminação do Concelho de Soajo, foi também extinto o referido julgado em 31 de Dezembro de 1853.
Ainda, acerca da história da Freguesia de Soajo, no livro," Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo" pode ler-se na integra:« Datam de 950, "Suagio et Monimenta", de 959 e 1059, "villa Soagio", as primeiras referências a São Martinho do Soajo.
Em 1320, na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, do bispado do Tui, que o rei D. Dinis mandou organizar para determinação da taxa a pagar. São Martinho de Soajo foi taxada em 200 libras.No registo da avaliação dos benefícios eclesiásticos pertencentes à comarca de Valença, efectuada em 1546, sendo arcebispo D. Manuel de Sousa, São Martinho de Soajo figura enquadrada no concelho de Soajo, tendo anexa a si a igreja de São Salvador da Gavieira. Em conjunto com esta rendia 60 mil réis.
Na cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar Limpo, refere-se que São Martinho de Soajo era do padroado real. Esteve anexa ao mosteiro beneditino de Ermelo, que veio a ser extinto no século XVI por iniciativa do então arcebispo de Braga, D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Nessa ocasião, foi fundada a Colegiada de Ponte de Lima, à qual o rei D. Sebastião aplicou a terça parte do rendimento da igreja de São Martinho do Soajo e da sua filial de São Salvador da Gavieira. O cura de São Salvador da Gavieira era da apresentação da igreja do Soajo».
Outras informações gerais
POPULAÇÃO
DIVISÃO ETÁRIA:
Crianças: 8,2 % (0 a 14 anos)
Adolescentes: 8,2 % (15 a 24 anos)
Adultos: 47,2 % (25 a 64 anos)
Idosos: 36,4 % (65 anos ou mais)
Número de Residentes: Cerca de 1.159 habitantes (Censos 2001).
Número de Eleitores Recenseados: Cerca de 1477 eleitores.
O número total de habitantes da Freguesia encontra-se distribuído por 525 famílias e 1.042 alojamentos. Soajo regista uma densidade populacional de 19,6 habitantes por km2. Refira-se ainda que, comparativamente aos 1.373 habitantes registados nos Censos de 1991, Soajo apresenta um decréscimo na população de 15,6 %. Esta variação negativa prende-se, de alguma forma, com a emigração sentida ao longo das últimas década nomeadamente para França, Estados Unidos, Canada e Andorra. O regresso à terra natal verifica-se essencialmente na época de Verão, sobretudo nos meses de Julho e Agosto, e nas épocas festivas (Natal e Páscoa).
Ainda de acordo com os dados referentes aos Censos de 2001, verifica-se um envelhecimento da população da Freguesia, uma vez que, nesse ano, mais de um terço dos residentes possuía idade igual ou superior aos 65 anos.
DESENVOLVIMENTO E TURISMO
SECTORES ECONÓMICOS:
Primário: 67,7 %
Secundário: 19%
Terciário: 14,3 %
A principal actividade económica na Freguesia é a agricultura, destacando-se neste sector a actividade pecuária e a pastorícia. A agricultura desenvolve-se na produção de cereais, de que o milho é a principal componente produtiva. Em termos de pecuária, assumem especial importância as criações As criações animais são essencialmente raças autóctones:
Dos gados bovinos são Barrosã e Cachena,
Dos ovinos é a Bordalesa,
Dos caprinos é a Cabra Bravia,
Do cavalar é a Garrana.
Merece igualmente destaque a produção multissecular de vinho verde, essencialmente na vertente doméstica e através das entregas na Adega Cooperativa de Ponte da Barca.
Em 1999, a população agrícola representava 48,3 % do total da população residente Soajo, facto que confirma a importância do sector agrícola na Freguesia.
A florestação desta área montanhosa foi um facto ao longo do século XX, sendo daí auferidas valiosas receitas, quer para particulares quer para a autarquia local. Nos subúrbios desta Vila e em plena Freguesia de Soajo, situa-se a Barragem Hidroeléctrica Soajo-Lindoso, a qual se revela como uma das maiores da Península Ibérica em termos de produção energética.
Para além da agricultura, também a construção civil e o comércio local existentes, nomeadamente os restaurantes, cafés, padarias/pastelarias e pequenas empresas locais, aumentam a oferta de trabalho na Freguesia.
É de referir que alguns residentes trabalham na Zona Industrial dos Arcos de Valdevez, para onde se deslocam diariamente.
MEIOS DE ACOLHIMENTO:
A Freguesia de Soajo está integrada na zona de intervenção do Programa Leader, gerido nesta região pela Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Lima. Através deste programa, foi possível promover e recuperar algumas casas tradicionais existentes no Soajo, mantendo os traços genuínos da região, reconvertendo-as maioritariamente em Casas de Turismo de Aldeia. Assim, para melhor receber os visitantes e curiosos turistas, esta Freguesia dispõe de três tipos de alojamentos:
Casas de Turismo de Aldeia: habitações populares recuperadas, que mantêm a sua traça original, constituindo uma modalidade de Turismo em Espaço Rural.
- Casa da Barreira - Casa rústica, construída no século XVIII no Lugar da Barreira de Barros. No início do século XX, o seu proprietário, Manuel Pereira Fernandes de Amorim, efectuou obras de restauro para nela albergar a sua filha recém-casada.
- Casa de Carreiras - Esta é uma tradicional casa de lavradores, em que o piso superior era destinado à habitação e o inferior às cortes dos animais. Nas primeiras décadas do século XX, esta casa era utilizada para a realização dos fiadeiros, isto é, para a preparação da lã de ovelha para posterior fiação. Situada no Lugar de Carreiras, é propriedade de Manuel Morgado Couto.
- Casa da Eira do Rego - Esta casa rústica data do século XVIII e pertence a Felicidade Enes Dias Cavaleiro. O seu nome deriva de outrora ter existido nas suas imediações uma importante eira, atravessada por um rego de água, à qual chamavam “Eira do Rego”.
- Casa João Fidalgo - Construída nos anos 40 do século XX, é uma das casas mais recentes da aldeia, como atestam as suas linhas arquitectónicas. O seu nome foi atribuído pela actual proprietário a título de homenagem ao seu pai.
- Casa da Laranjeira - Casa rústica datada do século XIX, pertencente a Maria Manuela Ferraz Gonçalves Lage.
- Casa da Porta da Mina - Apresentando uma arquitectura tradicional, adornada com pilares de granito e um varandim, esta casa rústica foi construída no início do século XIX. O seu nome está ligado à existência de uma mina mesmo em frente à entrada da casa. O seu proprietário é Joaquim Costa Barreira.
- Casa de Rio Bom - Propriedade de Luísa Pinho Branco da Cunha, pertence ao núcleo das casas mais antigas da aldeia. Nos anos 60, era aqui que funcionava a farmácia de Soajo.
- Casa do Souto - Construída no século XV, esta casa de habitação mantém intactas as suas características originais e situa-se no seio de uma paisagem bucólica. Desde sempre pertenceu à família do actual proprietário, João Afonso Fidalgo.
- Casa do Ti Viúva - Casa de lavradores do início do século XIX, cujo nome constitui uma homenagem da família ao antigo proprietário, conhecido por “Ti Viúva”. Actualmente, pertence a Joaquim António Fernandes.
- Casa dos Videiras - Data do século XVII e deve o seu nome à família do proprietário, Alexandre Esteves Pires Barreira, cuja alcunha é “Videiras”. Vários moradores marcaram a história desta casa, entre os quais D. Abílio Ribas, actual Bispo de S. Tomé e Príncipe, e o último juiz de Soajo.
Casas de Abrigo: casas simples, feitas com materiais tradicionais durante as campanhas de florestação do Estado Novo.
Casa Abrigo de Adrão - Antiga casa florestal, em pedra, situada em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Casa Abrigo Branda de Murço - A sua construção é similar a todas as outras casas de abrigo, simples e com materiais tradicionais, sobretudo pedra.
Casas Antigas e Rústicas: antigas casas senhoriais que representam os costumes, a arquitectura e a vida social do mundo rural.
Casa do Adro - Esta é uma antiga casa nobre do século XVIII, cujo proprietário é António Salvador Baptista Enes.
No que diz respeito à restauração, Soajo também dispõe de dois restaurantes que não só dão a conhecer como dignificam a gastronomia típica da Freguesia:
- Restaurante Espigueiro - As especialidades da casa incluem: Chouriço e presunto da região; cabrito à moda do Soajo; posta barrosã; anho da serra; arroz de cabidela; arroz de lavrada; bolo de mel.
- Restaurante Videira - As especialidades da casa incluem: presunto, chouriço e pataniscas; cabrito assado; sarrabulho à moda do Soajo; cozido à soajeira; bacalhau à Videira; posta barrosã; bolo de mel e pudim de mel.
- Restaurante Saber ao Borralho - O “Saber ao Borralho” apresenta pratos de acordo com momentos particulares do quotidiano da aldeia e com as épocas festivas ou épocas de colheitas.
DESPORTO, CULTURA E LAZER:
Preocupada com o desenvolvimento integral do local, esta Freguesia está dotada de vários recursos que permitem a realização de diversas actividades recreativas e de lazer, como:
Centro Hípico do Mezio — Para além de proporcionar grandes momentos de lazer, promove e valoriza a raça equina garrana, tirando partido das suas potencialidades para a realização de passeios equestres e ensino.
Poços — São pequenos lagos naturais que fazem as delícias de quem os visita. Soajo dispõe de cinco poços: Poço do Bento; Poço do Luzio; Poço das Canejas; Poço das Mantas e Poço Negro.
Trilho do Penedo do Encanto — É um circuito fechado, com calçadas medievais, através das quais se podem apreciar as casas típicas da região. No interior da floresta, encontra-se um conjunto de gravuras rupestres da Idade do Bronze, entre as quais a mais importante é a chamada de “Penedo do Encanto”.
Trilho das Brandas — Era por este caminho que antigamente passavam os carros de bois barrosãos, que transportavam os produtos agrícolas da branda para a aldeia.
Trilho do Mezio — Trata-se de uma das mais belas áreas florestais do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao longo do percurso, pode-se observar belíssimas manchas de árvores, bem como duas mamoas, que atestam a ocupação do território desde há pelo menos 5.000 anos, e uma branda.
Ao longo dos tempos, as populações foram-se organizando em associações ou colectividades, perseguindo finalidades e objectivos bastante diversificados, sempre visando elevar a sua cultura e o seu bem-estar social. São disso exemplo:
- Casa do Povo de Soajo
- Clube Caça e Pesca do Soajo — O associativismo assume na Freguesia um peso preponderante na actividade da caça. Actualmente, são cerca de 136 os caçadores associados que praticam esta actividade. As principais espécies cinegéticas capturadas são o coelho e a perdiz, não havendo a reposição de espécies. Em relação à pesca, a truta é a espécie mais comum nos cursos de água locais, sendo por isso a espécie mais capturada.
- Associação Cultural Soajeira
- Associação Amigos Vilarinho das Ouartas
- Associação Cultural e Recreativa de Adrão
- Associação Juvenil de Paradela
- Associação Desportiva e Cultural de Soajo~
- Associação Sociocultural dos Moradores de Cunhas
- Rancho Folclórico das Camponesas da Vila de Soajo
Para além destas, existem outras instituições de âmbito regional que também têm contribuído fortemente para o desenvolvimento da Freguesia:
- Cooperativa Agrícola dos Agricultores de Arcos de Valdevez — Presta apoio técnico agrícola e florestal;
- CENTER — Central Nacional de Turismo no Espaço Rural — Intervém na área do Turismo;
- Valimar..— Associação de Municípios— Responsável pela coordenação de projectos intermunicipais.
ACÇÃO SOCIAL:
Não descurando esta importante área de acção, esta Freguesia tem ao dispor dos seus habitantes um Jardim-de-Infância, um ATL, uma Farmácia e um Posto Médico.
No que diz respeito ao ATL, convém assinalar que se enquadra nas actividades promovidas pelo Centro Social e Paroquial do Soajo, sendo servidas refeições quentes aos jovens inscritos, assim como faz apoio domiciliário aos mais idosos.
ENSINO:
No âmbito da Educação, esta Freguesia está munida de algumas infraestrutura, como duas Escolas de Ensino Básico do 1.º Ciclo. Numa das escolas leccionam três professores, um por sala de aula, para um total de 40 alunos, facto que diverge do apresentado pela outra escola onde apenas se presta serviço a 5 crianças. Para frequentarem as escolas do 2. ° e 3.º ciclos, bem como as de ensino secundário, cerca de 20 a 30 alunos do Soajo deslocam-se diariamente a Arcos de Valdevez, utilizando para tal transportes públicos e/ou privados.
GUIA TURÍSTICO:
Para satisfazer a sede de cultura dos seus visitantes, esta Freguesia tem para oferecer um património que é, essencialmente, uma herança cultural. Pode ostentar séculos ou milénios, mas deve ser sempre entendido como um conjunto de manifestações que emana dos mais diversos graus do conhecimento humano, gerado por múltiplas gerações que, à sua maneira, compreenderam a necessidade de transmitirem algo aos vindouros. Soajo insere-se numa das mais belas zonas de montanha do Parque Nacional da Peneda-Gerês, cujos imensos atractivos derivam da sua extrema beleza natural, paisagística e cultural. Desse seu rico e variado património, merecem especial realce:
- Casas da Câmara e dos Enes
- Pelourinho do Soajo — É o monumento que testemunha o tempo em que esta população serrana foi classificada como Vila, tendo em 1910 sido declarado Monumento Nacional. É constituído por uma base em três degraus que suporta uma coluna cilíndrica, decorada por uma sorridente carranca antropomórfica em alto relevo, rematada com uma enigmática laje triangular, a qual representa o poder sobre as três paróquias que constituíam o Concelho de Soajo (Ermelo, Gavieira e Soajo).
A partir do século XII, os pelourinhos passaram a ser símbolos de jurisdição concelhia e autonomia municipal, bem como de jurisdição feudal, dos direitos de donatários, bispos, cabidos e mosteiros.
Foi o rei D. Dinis que municipalizou Soajo, mas a construção do Pelourinho reporta- se à segunda metade do século XVI. Inúmeros documentos atestam a sua existência na primeira metade do século XVII, sobretudo através da toponímia do local onde sempre esteve localizado — a Praça do Pelourinho.
A interpretação do Pelourinho não tem sido objecto de unanimidade como se comprova pelas dissertações de várias personalidades, nomeadamente Leite de Vasconcelos, Rocha Peixoto, José Augusto Vieira e Luís Chaves. Aquela que se nos figura mais consentânea como passado histórico da Vila e Montaria de Soajo é a que decorre do seguinte: apresentando-se com características antropomórficas nele se apresenta o detentor do máximo poder em Soajo, aquele que se pode tomar por donatário de facto, o Monteiro-Mor. Contudo, munido de jurisdição apropriada à montaria, que era diferente da jurisdição concelhia não deixando de a influenciar e fiscalizar, como figura centrípeta, arrecadava em seu beneficio os foros do Concelho, fazia alardos e formalizava as movimentações do gado para a Galiza.
A simbiose do Concelho e Montaria de Soajo ganharam forma na modelação deste singelo monumento granítico.
- Cruzeiros
- Antas da Serra de Soajo — As antas são construções funerárias para inumações colectivas que testemunham as práticas funerárias das civilizações antigas.
- Fojos — Os fojos são construções de grande envergadura feitas em pedra, quase sempre situadas nas linhas de cumeada das serras, com a função de serem um auxílio para o homem na caça ao lobo. Entre estes, destaca-se como mais notório o que se encontra junto ao Outeiro Maior, na Fonte das Forcadas, que foi referenciado em 1758 ainda em bom estado de conservação, situação que actualmente se mantém.
- Brandas e Inverneiras — Trata-se de núcleos habitacionais temporários cuja origem se prende com a necessidade das populações utilizarem os pastos localizados na serra para alimentar o gado. Na Primavera e Verão, as populações permaneciam nas povoações mais altas das serras — as brandas; no Outono regressavam às povoações mais baixas — as Invemeiras —, onde permaneciam todo o Inverno.
As brandas e as inverneiras ainda hoje se encontram na Freguesia e, apesar de não terem qualquer utilização, o seu valor cultural e histórico mantém-se e é reconhecido.
Em Soajo, encontramos as seguintes brandas: Bordença, Murço, Cortelhos, Medas, Pesqueiras, Torre de Regadas, Portelinha, Trapela, Açoreira, Ramil e Soutelinho.
- Espigueiros e Eira Comunitária — A Freguesia do Soajo é famosa pela sua eira comunitária constituída por 24 espigueiros do tipo galaico-minhoto, todos em pedra e assentes num aforamento de granito. Estes elementos foram construídos na altura em que se incrementou o cultivo do milho e serviam para proteger o cereal das intempéries e dos roedores. O mais antigo data de 1782.
Parte destes espigueiros são ainda hoje utilizados pelas gentes da terra e constituem um importante atractivo turístico local.
- Monte do Gião - Este é um dos maiores e mais belos núcleos de gravuras rupestres do Noroeste de Portugal, as quais remontam ao Neolítico e à Idade do Bronze.
- Ponte da Ladeira - É constituída por um grande e único arco de aduelas estreitas, bases sólidas de dois paredões e um tabuleiro que faz uma dupla rampa ou um pequeno cavalete com parapeitos baixos. Os monges do Mosteiro de Ermelo contribuíram não só para a sua construção como manutenção.
TRADIÇÕES FESTAS E ROMARIAS:
Festas da Vila de Soajo: Antigamente as festas celebravam-se de acordo com o calendário eclesiástico. A Senhora das dores no dia 15 de Setembro, o Santo António a 13 de Junho, o Mártir São Sebastião no dia 20 de Janeiro, e o São Martinho a 11 de Novembro.
Para se angariar dinheiro era costume, na Segunda-feira de Páscoa, os mordomos de cada santo (dois rapazes e duas raparigas), irem pelos lugares pedir «esmola» para cada festa, que era dada em milho. Os moradores colocavam um cesto com espigas, na estrada, que os mordomos também repartiam com os pobres. Uma semana depois o milho recolhido era vendido e a receita ajudava a pagar as despesas da festa.
Actualmente, as festas de Soajo realizam-se de 12 a 15 de Agosto, por causa dos emigrantes, em honra de todos os santos. Os festeiros são nomeados, pelos do ano anterior, no dia 15. No fim da festa estes vão, à casa dos escolhidos «entregar a festa». Existem comissões formadas para angariar dinheiro na região e no estrangeiro.
A seguir designadas as festas nos restantes lugares de Soajo:
Lugar de Cunhas: 2° Domingo de Outubro realiza-se a festa, em honra de Nossa Senhora de Fátima.
Lugar de Paradela: festa em honra a Santo António, no dia 13 de Junho.
Lugar da Várzea: no dia 29 de Setembro, festa em honra de são Miguel-o-Anjo, 13 de Dezembro em honra de S.Luzia.
Lugar de Vilar de Suente: festa em honra de Santo António, no 2° Domingo de Julho.
Lugar de Vilarinho das Quartas: festa em honra de Nossa Senhora da Guia, em 10 de Junho.
Lugar de Adrão: no dia 29 de Junho, festa em honra à Nossa Senhora da Conceição, neste lugar realiza-se ainda uma pequena romaria, dedicada ao Senhor da Paz, 40 dias após a Páscoa, numa segunda-feira.
Lugar do Campo Grande: segundo Domingo de Agosto, em honra á Nossa Senhora do Livramento.
FEIRAS: Em Soajo, realizam-se feiras no primeiro Domingo de cada mês, entre Janeiro e Setembro. Nos restantes meses, ou seja, entre Outubro e Dezembro, as feiras têm lugar no primeiro dia de cada mês.
- Desfolhada Soajeira
- Malhadas e os Carretos de Estrume
DANÇAS E CANTARES: Fazem parte da memória dos mais velhos, os serões bem passados a dançar ao toque da concertina assim como os cantares ao desafio, danças e cantares que ainda hoje são da actualidade nas festas, por toda a freguesia.
TRAJES CARACTERÍSTICO: De acordo com documentos antigos desta região, recuperaram-se os trajes de antigamente que hoje são usados pelo nosso Rancho Folclórico, sendo eles os seguintes:
Traje de trabalho da mulher era composto: | Traje de trabalho do homem era composto: |
- Espartilho | - Calças de floado ou ganga |
- Chambre de chita com folho na cinta | - Camisa de linho |
- Saiote de lã | - Barrete de fazenda com pêra |
- Saia de serguilha (Linho e Lã) | - Faixa de fazenda na cinta para proteger o |
- Lenço de marino | abdómen dos trabalhos pesados |
- Meias de perna para usar com tamancos abertos | - Tamancos de bira |
- Meias inteiras para usar com tamancos os de bira | |
- Avental de lã preta | |
- Tamancos ou carolinas | |
Traje do Domingo | Ouro usado nas ocasiões especiais |
- Saia branca com muitas rendas | - Cordão |
- Saiote de castorina vermelho aos quadros | - Trancelim |
pretos | - Gargantinha |
- Saia de baieta ou seda lavrada | - Meios fios de contas |
- Blusa de seda lavrada | - Livras, meias livras e custódias |
- Lenço de várias cores de lã ou marino | - Brincos de filigrana e argolas enrendadas |
- Socas | - Relógio de Bolso para o homem |
Traje da noiva (tudo preto excepto o lenço e roupa interior) | Traje do noivo (Tudo preto) |
- Camisa de Linho e espartilho (roupa interior) | - Jaqueta de estrecão |
- Blusa de seda lavrada | - Calças de fazenda |
- Saia de estrecão bordada a medrilhos e fitas | - Camisa de linho |
de veludo | - Colete de Fazenda |
- Jaqueta de estrecão com os mesmos bordados | - Chapéu de Fazenda |
- Lenço de seda amarela( para a cabeça) | - Guarda Chuva na mão (Quer estivesse sol ou |
- Avental de veludo | chuva) |
- Chinela de cabedal preto com salto | - Tamancos de pele preta |
- Xaile de estrecão preto c/ franjas compridas |
JOGOS E BRINQUEDOS TRADICIONAIS:
De acordo com as memórias dos mais velhos, recuperaram-se os jogos do Pau; da Malha e o jogo do Pião.
GASTRONOMIA
PRATOS TÍPICOS: O Cabrito à moda do Soajo, o Arroz de Cabidela, o Cozido à Portuguesa, o Arroz de Sarrabulho e a Costeleta Grelhada são autênticos manjares que caracterizam a gastronomia desta Freguesia.
Não se pode deixar de referir também o famoso queijo da cachena.
VINHOS DA REGIÃO: São néctares da região os vinhos verdes brancos e tintos.
DOCES REGIONAIS: Fazem parte da confeitaria da região o pão-de-ló, o bolo de mel, bolinhos de geremú, e outros doces confeccionados com o mel da região.
ARTESANATO
A manufactura do passado permanece bem viva em Soajo através dos trabalhos em madeira, das ferramentas tradicionais e dos trabalhos em lã e em linho. Entre os objectos mais produzidos artesanalmente, destacam-se as chancas e os pipos de madeira, as croças de junco e as capas de burel, as camisas e toalhas de linho, os cobertores de lã e as mantas de retalho, produtos estes que, em tempos idos, eram necessários à existência quotidiana. Actualmente, existe em Soajo uma loja de artesanato.
A Junta de Freguesia agradece ás famílias dos autores das músicas e cantares, destacando os saudosos António Rodrigues Pedro e Manuel Pires Gomes.
PELOS TRILHOS ANCESTRAIS DA SERRA DE SOAJO
O verde sobe em degraus pela serra, até ao coração do grito. Até à crista do vento. Até à noite cansada.
Os lugares dos Pastores. Esbatidos nas pedras e no musgo. Nas "piocas", onde eram feitas as sopas de leite, colectivas.
Sobre os outeiros vão emergindo seios de ternura, como preces ogivais à Natureza.
As encostas despenham-se em queda livre até aos vales, onde se foram erguendo abrigos, "cortelhos" e "bezerreiras".
A Serra adormecida, mais parece um pré-histórico dromedário hibernado.
O nosso olhar percorre este oceano de pasto e pedra. Aqui, e além, pequenos capacetes de granito e neblina.
Decorridos quase um ano, após o imenso mar de labaredas, que se abateu sobre a Serra, ainda subsistem resquícios do pesadelo então vivido.
As dezenas e dezenas de "cortelhos" e abrigos, as numerosas e extensas paredes das bezerreiras, os muros, que guiavam os lobos para o Fojo, vão resistindo a tanto revés.
Os gemidos da terra calcinada irrompem do silêncio da Serra. Nos rochedos as últimas palavras, que o fogo escreveu a cinza e carvão.
As chispas das ferraduras no contacto veloz com as fragas, quando o termómetro do cio sobe até ao vermelho sexual das éguas e cavalos.
As águas dos pequenos regatos e lagoas fluem cintilantes. Com o reflexo do Sol a bater na preguiça deste Verão.
O fogo escorraçou as alcateias, que ainda há pouco tempo pisavam o cio a cada uivo. Mas uma corça, refastelada ao sol da manhã, nas imediações do "Penedo dos Ramos", só fugiu, trespassada de medo, quando pressentiu a presença humana e o disparo da objectiva do Amigo "Tonais".
A "Fonte das Forcadas"! Onde outrora se abriam os farnéis, para a partilha da merenda e da confraternização. Com todos os participantes dos povoados ao redor, no fim da Montaria.
O fogo escorraçou as alcateias, que ainda há pouco tempo pisavam o cio a cada uivo. Mas uma corça, refastelada ao sol da manhã, nas imediações do "Penedo dos Ramos", só fugiu, trespassada de medo, quando pressentiu a presença humana e o disparo da objectiva do Amigo "Tonais".
A "Fonte das Forcadas"! Onde outrora se abriam os farnéis, para a partilha da merenda e da confraternização. Com todos os participantes dos povoados ao redor, no fim da Montaria.
Exótica e permanente aula a céu aberto, de Zoologia e Botânica.
O entardecer, na Serra, desenha contornos, sombras e cenários, que compõem a beleza e os sonhos.
A leitura das pedras e lugares. A escrita com amor e as cinzas. Nesta Serra, talvez carregadinha de espiritualidade e misticismo.
A perfeita comunhão entre o Homem e a Natureza.
Poulo de Cova
27 e 28 de junho de 2007
Luís Barbosa