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| Jorge Ferraz Lage |
2. ARCUENSE AVISADO? - Fiquei a saber, uma vez mais, que a serra em que as montanhas se situam a nascente do Vez, e entre Minho e Lima, se chama “serra da Peneda”, pelo que escreveu na dissertação de mestrado, o jovem arquitecto Fernando Cerqueira Barros, arcuense que suponho ser natural da freguesia do Vale. Ainda mais tomei (des)conhecimento que, a considera em toda a sua extensão territorial, não deixando sequer uma pequena “fatia” a sul, para encaixar uma suposta “serra de Soajo”, como atrevida, ignorante, e infundadamente tentou “fundamentar” ao escrever, pela primeira vez, em 1981, a geógrafa francesa Geneviève Coudé-Gaussen, em obra de natureza científica! Sendo arcuense o arquitecto Cerqueira Barros, à semelhança do seu entrevistador, creio não desconhecer os escritos sobre a serra de Soajo, publicados no “Noticias dos Arcos” e na “Voz de Soajo”. Armando falsidades, persistindo, intencionalmente, com o disparatado nome “serra da Peneda”, para tentar fazer acreditar erros e/ou mentiras! Ao proceder-se assim, deseja-se matar o genuíno nome que, em obras de feição científica, em exclusivo, atravessou, transversalmente, os séculos, até ao aparecimento dos agrupamentos das serras, por despropositado convencionalismo, de Gerardo Pery, em 1875, que as consubstanciou nos agregados “transmontano, beirense e transtagano”. Não logrou subsistência duradoura esta classificação, por aparecimento do mais pertinente critério de Paul Choffat, criador do agrupamento “galaico-duriense” que acomodou as serras nortenhas, em 1907, inserindo, todavia, o nome, serra de Soajo, sobre o espaço físico e paisagístico da serra Amarela! Assim se deu azo a que se fortalecesse e se tornasse eficaz o disparate da substituição da, serra de Soajo, pela “da Peneda”!!!... É espantoso que algumas pessoas, à semelhança do que aconteceu com o sabujo, ridiculamente, pretendam que as asneiras ganhem o estatuto de verdade, como se esta não fosse um valor prezável! 3. ALGUMAS PERGUNTAS – Desconhece o novel e distinto arquitecto, a quem endereço parabéns pelo admirável sucesso académico alcançado que, a serra, mudou de nome, não por razões de rigor científico, mas por razões de erros e/ou mentiras? Procedeu, o arquitecto, a pesquisas e reflexões que lhe permitam com sustentabilidade adoptar com segurança o nome da serra, ou limitou-se a seguir uma corrente de informação deformada? Acha que, Paulo Choffat, não mentiu e/ou errou, apesar de saber que o professor alemão na Universidade de Rostock, M. Link, mineralogista e botânico, usou, serra de Soajo, e não o falso nome “de Peneda”? É que Link, reputado universitário e cientista, descreveu com grande rigor os assuntos recolhidos nas visitas feitas a Portugal, percorrido de lés a lés, nos anos de 1797 a 1799 e, depois, nos primeiros de 1800. O novíssimo santuário de «Nossa Senhora do PENEDO» foi por ele inserido num «vale agradável coberto de floresta de castanheiros e carvalhos e rodeado de rochedos», no ambiente geográfico da «serra de Soazo». Link, afinal, distinguiu bem, um vale da serra com um santuário, de uma serra já baptizada – a de Soajo! Também, a serra Amarela, foi situada a sul do rio Lima, depois de passar o modesto «burgo de Soazo», a caminho da serra do Gerês. Teria razão, Choffat, para dizer que, a serra de Soajo é a Amarela, sabendo que Link as distinguiu rigorosamente e, as situou nos seus devidos lugares? Saberá que Choffat, citou, na publicação que derrubou a solidez do nome - serra de Soajo -, só meia dúzia de livros, entre os quais a obra “Viagens em Portugal”, de M. Link, editada em 1805? Arquitecto Cerqueira Barros, sei que vai continuar a descrever as “brandas”, mas poderá dizer em que freguesia, irá situar a da Seida (a de maior número de cortelhos desta serra e, ao que parece de todas as serras de Portugal), partilhada pelos soajeiros da Várzea, Paradela e Cunhas? Continuará a usar o aldrabado nome - “serra da Peneda” -, ou vai corrigir a denominação, para situar a “branda da Seida” na muito ANTIGA e fundamentada serra de Soajo? Participa no site «Serra da Peneda», na Internet em “serradapeneda.blogspot.com”? Concorda, com a disparatada descrição nele contido: «a serra da Peneda é a 5ª elevação de Portugal elevando-se a 1416 metros de altitude. Também conhecida como Outeiro Maior, ou Alto da Pedrada, na área envolvente situam-se as serras do Laboreiro, do Soajo, e a Amarela»? Esquecer-se-iam das serras, da “Strica”, de Cabreiro, da Gavieira, de Cabana Maior, etc.?! Saberá dizer, onde se situa a montanha que tem a máxima altitude da serra de Soajo e, qual a sua grandeza? Será que fica no Coto das Águias, no Coto Velho, ou no Mezio?! Choffat colocou o nome, serra de Soajo, no espaço da Amarela, mas neste “pouco rigoroso” site, parece colocar-se a Amarela, na Peneda! Concorda com qualquer destas afirmações? No seu novo trabalho irá colocar a conhecida “corga das Forcadas” (que corre no declive da maior montanha da serra – Outeiro Maior - em direcção à Seida) como separadora das freguesias de Cabreiro e Gavieira, como consta no mapa das freguesias usado pela câmara dos A. de Valdevez (talvez por “decisão dos lobos” que a atravessam), ou situa-a no Gião, com curso para o lugar da Igreja, no Vale? O pinhal de Soajo mandado proteger pelos reis de Portugal (à semelhança do de Leiria), já se situaria, numa inexistente “serra da Peneda”, ou, na “Montaria da Peneda”, ou, ficaria na Montaria do Cabril, a sul do rio Douro?!
4. ARQUITECTA, COM RAÍZES NO SOAJO, DISCORDARIA! – Uma descendente, dos “Cerqueira” que migraram da paróquia do Vale, em Valdevez, para o município de Soajo, na primeira metade do século XIX, seguramente, com bisavô e avó, nascidos em Soajo, e com património na vila de Soajo, também, no mês de Dezembro de 2011, concluiu o mestrado na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, com a honrosa classificação de dezanove valores, precisamente, a mesma nota que obteve na mesma escola, na sua licenciatura de seis anos de duração, onde entrara na segunda posição (20 valores foi o da primeira) no Porto, mas tendo sido primeira na U. do Minho no concurso a arquitectura! Ela gosta da genealogia familiar, e, sabendo que tem antepassados comuns com um seu colega classificado de excelente, ficou muito regozijada ao saber do júbilo que sentiram os avós “Cerqueira”, das diferentes gerações, por tão distintos resultados dos seus “n” netos! Mas convirá dizer que a arquitecta Ana Rita Lage Mier de Oliveira, para um trabalho desta responsabilidade atentaria na toponímia devidamente fundamentada em artigos do prestigiado jornal “Notícias dos Arcos”, de que já era assinante o seu bisavô de Soajo. Como não apreciaria enganar os professores da sua Faculdade e por respeito à verdade, usaria o nome, SERRA DE SOAJO, numa tese académica, se optasse por temas relacionados com o espaço montanhoso entre os rios Vez, Minho e Lima! Congratulações também para a Ana Rita, extensivos aos seus ascendentes, pela brilhante carreira estudantil e, ainda, pela douta e acertada opção que faria elegendo o nome - SERRA DE SOAJO! Atingiria os vinte valores?
Serra de Soajo, 30 de Janeiro de 2012
Jorge Ferraz Gonçalves Lage

2 Comments:
Exm.º Sr Jorge Lage,
Antes de mais, deixe-me dizer que aprendi uma coisa útil consigo. Há uns tempos atrás a minha Tia-Avó deu-me a provar uma água ardente temperadas com Uvas do Monte deliciosa. Porém, ao tentar saber qual o nome "correcto" da árvore que dava este fruto, não obtive resposta.
Pronto. Daí para a frente tudo o que o Sr. escreveu, mesmo que seja ou não correcto (não sei e tão pouco me interessa), é totalmente deslocado e desprovido de sentido no que toca o trabalho realizado por Fernado Barros.
Antes de mais deixe-me dizer-lhe uma coisa. Eu percebo que, sendo o Sr. do Soajo, uma aldeia mítica do Norte de Portugal e de beleza singular, que sinta imenso orgulho e procure defender os seus direitos históricos.
Eu faço o mesmo com a minha modesta freguesia.
Porém, o tom que utiliza na sua "dissertação", para além de levemente pedante e agressivo, torna-se quase cómico à luz das evidências que passarei a enumerar.
1- O trabalho do Fernando Barros nada tem a ver com a etimologia da região.
2- Para todos os efeitos, em termos ADMINISTRATIVOS LEGAIS E DE RECONHECIMENTO SOCIAL-ACADÉMICO, a Serra da Peneda é a Serra da Peneda. Existe e integra os elementos que as autoridades assim definiram.
Assim, para alguém de boa fé, e/ou, com um mínimo de bom senso, é muito fácil reconhecer que num trabalho académico, os termos a serem usados são os que vigoram na Lei e na Sociedade actual
Tenha em atenção a evidencia seguinte: O trabalho do Fernando Barros é sobre Arquitectura e não sobre Etimologia histórica.
Desta forma, toda a sua argumentação aparece absolutamente deslocada da tese do Fernando Barros. Será que consegue entender que se ele seguisse a sua filosofia (que admito, até pode ser correcta), toponímica, o trabalho dele até seria capaz de perder valor académico pelo simples facto de quem o lesse não conseguir identificar de forma clara os locais estudados?
A minha freguesia fica na vertente sul da Serra da Falperra (Braga-Guimarães). No entanto faz parte do maciço correspondente à Serra da Cabreira. Se eu fizesse um trabalho acerca das ermidas religiosas que aqui se encontram, teria de usar FALPERRA e não CABREIRA e isso apenas porque é o nome pelo qual esses locais são reconhecidos.
O teor da sua "revolta", com que acusa (de forma perentória e irrefletida) a incompetência (de certa forma é mesmo isso que o Sr. faz) do Fernando Barros surge assim como uma ridícula manifestação de orgulho ferido mas, sobretudo, de falta de noção da realidade.
Se o Sr. tanto preza, e faz bem, a justiça da atribuição do nome Soajo à Peneda, faça o favor de por as mãos à obra e fazer com que as autoridades competentes mudem o nome das áreas em causa.
Obviamente essa será uma causa perdida mas, ao menos, deixará de importunar pessoas sérias que realizaram trabalhos brilhantes, com os seus apontamentos que nem sequer conseguem ter perspectivas ÓBVIAS (falo do reconhecimento do nome oficial das Serras pelos leitores que, não sendo de Soajo, estão-se nas tintas para a verdadeira, ou não designação da Serra) ao seu alcance.
Gabriel Mendes Da-Costa
Longos Santa Cristina
Serra da Falperra (ou Cabreira)
Guimarães
Estou deveras impressionado com o que acabei de ler do Sr. Jorge Ferraz.
Eu sei que custa muito o facto do lugar da Peneda não ser o Soajo, mas têm de se habituar com a ideia. Existe um lugar chamado Peneda, lugar esse, que serve de peregrinação para milhares de crentes e devotos, entre os quais muitos de vós, e também existe a Serra da Peneda, a Romaria da Peneda, o Parque Nacional Peneda-Gerês...
Fico incrédulo quando passo no Soajo e vejo nas paragens de autocarro, com seguintes inscrições "Parque Nacional Soajo-Gerês", meu Deus, onde chega a estupidez para tais actos...
É muito feio ter inveja, e o que vejo neste tipo de atitudes, é INVEJA, ao invés das gentes da minha terra, a PENEDA, que nem uma palavra lhes ouço sobre o Soajo.
Em suma, tenho muito orgulho em ter raízes e descendência da Peneda, mas não e nunca soajeiro!!!
Pedro Barros
Lugar da Peneda
Freguesia da Gavieira
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