1 de Fevereiro de 2010

"Há cada vez menos pessoas por cá...no parque"

Moram e "tentam" trabalhar no parque. São proprietários de terrenos, mas queixam-se de falta de voz nas decisões sobre o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Alguns defendem eólicas para justificar a presença de quem ainda ali reside, mas o parque rejeita. No entretanto, o povo vai partindo. As "limitações" e "imposições" são as justificações.

Em terras de que os mais velhos fogem à procura de emprego, a construção de habitação é uma das dificuldades que, segundo os autarcas da área do PNPG, serão agravadas pelo novo plano. Ou seja, o PNPG prevê colocar sob alçada das câmaras o licenciamento de construção, mas como é obrigatório que os projectos sejam da autoria de arquitectos e não de engenheiros, garantem que representará o dobro da despesa.

Problemas, muitos, com que José Alberto, morador no parque, parece pouco se importar. "Sabe, parti há 35 anos para ser emigrante e isto era uma miséria. Colhíamos 20 quilos para comprar umas sardinhas. Hoje isso mudou, mas não foi muito." Agarrado a uma das "tourinhas", José segue viagem até casa, após mais algumas horas no campo. No fundo, a única rotina por estas bandas. Olha para o topo da montanha e desabafa: "Então não podíamos ter ali umas ventoinhas, daquelas da electricidade, para dar algum dinheiro?" Não, não podem porque o parque não autoriza e assim continuará.

Em pleno centro do Soajo, o DN encontrou Custódia. Passeia ao colo o neto, Noé. "Para já os meus filhos estão por cá. Enquanto há trabalho por perto", diz, assumindo: "Crianças são tão poucas que sabemos quem são. Há uma menina de seis meses e depois é o meu neto." Numa terra em que os cafés e três restaurantes são os principais empregadores, Custódia percebe a realidade. "Não dá para os mais novos terem filhos e continuarem por cá."

Com um total de 5800 hectares de território, Soajo é uma das mais características freguesias do parque. Desta área, 4000 hectares integram o PNPG, mas quase não resta história dos milhares de animais de pastoreio. O último grande pastor tinha 350 cabeças, mas há pouco mais de um ano vendeu--as, devido aos prejuízos dos ataques dos lobos. Hoje, enquanto ainda aguarda por indemnizações do parque, dedica-se à construção civil. Revoltado por tudo o que ficou para trás, recusa mesmo entrevistas: "Ficou muito magoado", atira a esposa. (Fonte: Diario de Noticias) Bookmark and Share