1 de Fevereiro de 2010

Guerra na Peneda-Gerês para manter gente… e ter eólicas

De um lado, ambientalistas, que querem menos ocupação humana no Gerês, o que inclui o pastoreio, a circulação automóvel ou centrais de energia; do outro, populações e autarcas, que vêem no Plano de Reordenamento do Parque um atentado às suas tradições e um obstáculo ao desenvolvimento.
 
Peneda-Gerês com Gente. Mais que um chavão, é um desejo de quem reclama voz na gestão do único parque nacional português. Numa altura em que se aguarda a promulgação do novo plano de ordenamento daquela área, temas como eólicas ou exclusão de determinadas zonas ao contacto humano estão a acentuar o conflito.

"Se menos de 7,5% da área do parque é do Estado - e porque foi expropriada há um século - e o resto é privado ou baldio, porque é que querem impor taxas e proibições nos terrenos privados?", começa por questionar o movimento Peneda-Gerês com Gente, o mesmo que levou mil pessoas a protestar em Braga recentemente.

Manuel Dias Branco, dirigente do movimento e presidente da Junta de Freguesia de Cabana Maior, Arcos de Valdevez, apela à "suspensão" da aplicação das novas regras, que estiveram em consulta pública até 2 de Dezembro. "Vai contra coisas ancestrais, usos e costumes dos habitantes e direitos como os de explorar a pedra ou as energias eólicas", sublinhou.

Contra o que dizem ser propostas de "restrições inadmissíveis", lançaram mão de uma recolha de assinaturas para levar o caso à Assembleia da República e travar "a todo o custo" que o plano seja aprovado em Conselho de Ministros. Dizem ainda que a área do parque não é selvagem, conforme "quer fazer crer" o novo documento. "Não podemos permitir que isto possa acontecer! Estamos perante um retrocesso dos direitos que o pós-25 de Abril veio devolver às populações", afirmou, frisando que a proposta de plano "prejudica o próprio parque nacional, o que é um contra-senso".

A suspensão do novo plano - em fase de análise de queixas apresentadas durante a consulta pública - é a reivindicação, antes de um "quase obrigatório", de novo plano, "substancialmente alterado" e desde que as taxas sejam abolidas. "Há uma portaria que determina a cobrança de 200 euros para praticamente tudo, inclusive para que um pequeno agricultor corte mato e tojo na sua propriedade", criticam. Na opinião dos residentes, as taxas são "um absurdo que só vai levar ao desaparecimento da população, ferindo de morte a riqueza e biodiversidade" do PNPG.

Em terras em que o emprego rareia, as eólicas são tema obrigatório. O próprio município de Arcos de Valdevez enviou uma reclamação, durante a consulta pública, para "que se encontre uma solução relativamente ao aproveita- mento do potencial de produção de energia renovável que o Parque comporta". A autarquia, liderada por Francisco Araújo, vai ainda mais longe: "É mais grave quando se verifica que outras áreas protegidas têm essa oportunidade." Apesar do investimento que a instalação de aproveitamento eólico poderia gerar na economia local do parque, a hipótese continua, para já e no âmbito do plano, descartada pela tutela.

"Esta posição é clara e representa um não claro a parques eólicos no PNPG", sustenta Helena Freitas, da Liga da Protecção da Natureza (LPN) [ver entrevista]. Ou seja, segundo o novo plano, serão "interditadas" instalações "de novas infra-estruturas ou equipamentos de produção de energia eléctrica utilizando recursos hídricos ou eólicos". A única excepção são equipamentos de microgeração (cuja potência a entregar à rede pública não exceda os 150 kW). Apesar das críticas da população, Helena Freitas lembra que o PNPG " merecia sem dúvida mais atenção", acrescentando: "Basta ver a atitude e o êxito de políti- cas distintas no lado espanhol do Parque."  (Fonte: Diario de Noticias) Bookmark and Share

7 Comments:

Anónimo disse...

Eólicas no Soajo, não! Queremos gente que só o turismo pode trazer e eólicas são inimigas do turismo.
Não dêem mais cabo do parque, só porque meia dúzia de interesseiros querem enriquecer mais, com as eólicas. Soajeiros, não se deixem enganar, as eólicas é só para alguns e não vai trazer riqueza ao Soajo, apenas pode comprometer o Soajo quanto ao seu potencial turístico.

Anónimo disse...

Boa Noite
O QUE TRÁS GENTE PARA O SOAJO É INVESTIMENTOS E APOIO AO TURISMOS, DOU EXEMPLO DE RESTAURANTE QUE ABRIU RECENTEMENTE NO SOAJO QUE É UM INVESTIMENTO QUE ATRAI GENTE PARA O SOAJO. AS ENTIDADES PÚBLICAS QUE SE PREOCUPEM EM DAR APOIOS E CRIAR CONDIÇÕES PARA RECEBER TURISTAS, PORQUE O SOAJO TEM MUITO POTENCIAL TURÍSTICO QUE ESTÁ DESAPROVEITADO, TEM TRADIÇÃO, GENTE E UM PATRIMÓNIO NATURAL INVEJÁVEL.

POLÍTICOS DEIXEM-SE DE BRINCAR AO FAZ DE CONTA E DIGAM ÀS POPULAÇÕES QUE AS EÓLICAS NÃO É SUSTENTABILIDADE PARA TODOS E SÓ PARA ALGUNS, NÃO QUEIRAM O CAMINHO FÁCIL DE ENTREGAR A EXPLORAÇÃO A EMPRESAS QUE VÃO FAZER CRESCER MONSTROS NAS NOSSAS SERRAS, ESCOLHEI O CAMINHO MAIS DIFÍCIL MAS MAIS SEGURO E QUE VÁ AO ENCONTRO DAS POPULAÇÕES QUE VOS ELEGERAM.
EÓLICAS NO SOAJO, NÃO OBRIGADO!

Tone disse...

Se o dinheiro proveniente das aeólicas for empregue em proveito dos Soajeiros, eu pergunto: AEÓLICAS PORQUE NÂO????

Anónimo disse...

Porque o dinheiros proveniente das eólicas vais se esfumar depressa,será como a a lenda do pelourinho, e os Soajeiros vão ficar a olhar para as mãos, o tempo dirá quem tem razão. Por outro lado a serra do Soajo vai perder toda a sua autenticidade, porquê que será que só serão colocadas eólicas na zona do Soajo e não no Gerês? Seguramente a atracão pelo dinheiro fácil em detrimento de políticas sustentáveis terá mais um custo para as populações e património natural do Soajo.

Tone disse...

"MIRANDA DO CORVO - Parque eólico rende um milhão a Vila Nova.....


A Enernova iniciou trabalhos de construção de 10 torres de betão.

A Enernova começou a construir um parque eólico no concelho de Miranda do Corvo, devendo pagar um milhão de euros à Junta de Freguesia de Vila Nova nos próximos anos.

O Presidente da Junta disse que, além da verba fixa a atribuir pela empresa do grupo EDP, a autarquia, titular dos terrenos baldios daquela zona da Serra da Lousã, vai ainda beneficiar de uma parte das receitas da produção de energia daquele parque.
A Enernova iniciou já os trabalhos de construção de 10 torres de betão, a fim de implantar outros tantos aerogeradores, numa primeira fase do projecto. O empreendimento será aumentado numa fase posterior, ao abrigo de um protocolo celebrado, em 1998, entre a Enernova e a Junta de Freguesia de Vila Nova.
“Esta é uma obra de grande envergadura cujas contrapartidas financeiras serão aplicadas em importantes infra-estruturas, em particular a ampliação do cemitério e a construção de um heliporto”, disse o presidente da Junta de Freguesia.
O projecto “tem contado com a solidariedade da Câmara Municipal de Miranda”.
A ocupação dos baldios de Vila Nova pela Enernova, para efeitos de produção de energia eólica, está garantida através do protocolo nos próximos 25 anos. A inauguração da central, com a potência de 20 megawatts, está prevista para Junho de 2004.
Cada aerogerador pesa 45 toneladas e funcionará no cimo de uma torre com 70 metros de altura, medindo as pás da hélice 40 metros de comprimento. O enchimento das fundações das torres pode envolver, diariamente, dezenas de máquinas e viaturas e cerca de uma centena de trabalhadores."

Há centenas de casos como este em portugal.
Se nós não podemos ter éolicas quem nos dá os milhões que poderia-mos usufruir devido ao potencial que temos?
NÓS NÃO VIVEMOS DE "PAISAGENS", POR ISSO NÃO TEMOS DE PAGAR PARA TODOS TEREM UM PARQUE NACIONAL.

Roel Klein disse...

Escrevo este comentário para exprimir a minha preocupação com o desenvolvimento da energia eólico em Portugal. Só jornalista de uma revista turística holandês e escritor de guias turísticas sobre Portugal para o mercado holandês e belga. Peso desculpa pelo o meu fraco português.

Em primeiro lugar queria expressar a minha grande admiração pela vossa rejeição da energia nuclear e o grande esforço que o seu país faz para o desenvolvimento das energias renováveis (de ondas, solar e tambem eólica). Porém a minha preocupação tem a ver com a maneira que a energia eólica e implementada no seu país.

Portugal tem algums parques naturais e areas protegidas de beleza exceptional no contexto europeu. São paisagems que os Ingleses chamam: “areas of outstanding natural beauty”.
Embora sabendo que os vantagems econômicos dum parque eólico para as autarquias ou conselhos de compartes locais dentro das areas protegidas podem ser significante, sempre tem que ser comparada com a eventual perda de rendimentos familiares: nesse caso o turismo rural. Uma paisagem mais industrial e menos natural e rural mostra-se muito menos interessante para turistas, especialmente os que vem dos paises extrangeiros. Os Espanhois seguem uma politica totalmente differente. Se não me engano, não há parques eólicos nas areas protegidas no seu país vizinho. A respeito do desenvolvimento do turismo vão ter uma vantagem significante no futuro. A minha grande preocupação é que o meio rural do norte de Portugal vai perder oportunidades de desenvolver estes fontes de rendimento para o agregado familiar.

Acho muito dificil compreender porque os Portugueses deixam destruir a sua belissima herança natural tão facilmente. A energia eólica, enquanto jogando um papel muito importante no desenvolvimento da energia renovável, nunca vai ser a única solução. As consequências para a paisagem, a nutureza e por esse meio também para as communidades rurais, são todavia irreversíveis. Penso que para as futuras generações a existência de alguma paisagem não ou só pouco afectada vai mostrar tão importante como a energia sustentável.

Roel Klein
Alkmaar, Holanda

Jose Afonso disse...

Roel, eu concordo totalmente com a sua avaliação da situação em Portugal. É triste que os líderes políticos do nosso país são tão insensíveis com a preservação da beleza natural do nosso país. Estratégias para maximizar a utilização das energias renováveis, como a energia eólica, é uma direção política positiva para o país. No entanto, esta estratégia deve equilibrar as necessidades presentes, com impacto futuro sobre a paisagem, plantas e espécies. Obrigado pelo seu comentário e para expressar o seu interesse na preservação da nossa paisagem natural e bonito.