Arcos de Valdevez – um concelho, duas vilas
Mas nós próprios não tivemos quaisquer dúvidas em nos deslocarmos ao Soajo, no dia seguinte à votação na Assembleia da República, para auscultar o sentir dos seus habitantes, já como fazendo parte de uma vila, de facto e de direito.
Afinal, o projecto tinha sido aprovado no orgão de soberania próprio e, dada a sua bondade legal, não havia hipótese de não ser aprovado.
Motivo pelo qual me parece um preciosismo invocar este tipo de argumentos para daí tirar algum efeito menos transparente. De resto, temos a certeza de que todos somos soajeiros por solidariedade e orgulho e arcuenses por realidade geográfica.
E não vale dizer que já “era antes de o ser”, desvalorizando esta iniciativa, porque, pese embora o facto de Soajo já ter sido cabeça de concelho até 1852, a partir daí deixou formal e juridicamente de o ser, pelo que este processo que tanto deu que fazer a tantos, tem todo o mérito e cabimento, e deve ser colectivamente celebrado, mesmo que nem todos tenham tido desde o princípio uma linha de afirmação e coerência, mas que acabaram por colaborar com convicção e tudo fazer para honrar esta velha urbe.
O momento não é pois para divisões ou retaliações, até porque este é o princípio de um futuro que vai precisar de todos – residentes e ausentes nos vários países de acolhimento, por esse mundo fora –, motivando o seu bairrismo e solidariedade, de modo a demonstrarem ser dignos dos seus antepassados e da sua longa história.
Haverá sempre cépticos que não se cansarão de sorrir desdenhosamente daquilo que eles apelidarão de ingenuidade e boa-fé: afinal, dirão, isto não vai modificar em nada a nossa terra e muito menos resolver os problemas dos seus habitantes.
Pois não. É verdade. Porque o desenvolvimento e o bem estar dependem fundamentalmente do trabalho e esforço de cada um. E não podemos, ninguém pode esperar, que o progresso caia do céu.
Mas pode criar melhores condições e oportunidades que, se bem aproveitadas, poderão resultar, com o tempo, em melhoria das condições de vida de todos.
“Notícias dos Arcos”, que acompanha há muitos anos, com especial carinho, a vida de Soajo e dos seus habitantes, congratula-se com esta distinção, que a torna a segunda vila do concelho.
E o concelho de Arcos de Valdevez só fica enriquecido, porque passa a ser um concelho com duas vilas.
Por: Mário G. L. Barros Pinto


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