As remessas de emigrantes
Não obstante as remessas dos emigrantes virem a diminuir, a verdade é que continuam a ser significativas e representam um importante contributo para as finanças e a economia do país.
Segundo um estudo do “Público”, com dados do Banco de Portugal, verifica-se que entre 1996 e 2006 houve um decréscimo de receitas, provenientes dos nossos compatriotas residentes no estrangeiro, da ordem dos 30 por cento, sendo que em 2006 o valor dessas receitas foi de 2,4 mil milhões de euros.
E a demonstrar que os níveis das remessas estão ligados aos períodos de crise, constata-se que no período de 1993 a 1996 elas encolheram 15 por cento, período que coincidiu com a fase final da recessão que afectou a Europa entre 1991 e 1993.
A partir de 1996 e até 2000 as mesmas voltam a subir e em 2001 atingem um máximo de 3737 milhões de euros.
A entrada de Portugal na moeda única, em 2000, veio alterar o ritmo das remessas no sentido descendente, muito devido à perda dos beneficios cambiais.
Ainda dentro deste conjunto de dados, fica-se a saber que os nossos conterrâneos enviaram durante o ano de 2008 um volume de 2558 milhões de euros, menos 30 milhões que em 2007, o que se compreende com a crise internacional que já se fazia sentir.
Ora, se esta tendência negativa tem uma explicação exterior à nossa (do país) responsabilidade, a verdade é que algumas medidas tomadas nos últimos tempos pelos nossos governantes também não ajudam nada a incentivar uma atitude de cooperação com o país de origem, mesmo tendo em conta que muitos deles estão a ser vítimas igualmente da turbulência dos mercados.
Contudo, é dever do Estado velar pelos interesses e bem estar dos seus cidadãos, mesmo dos que vivem no estrangeiro.
E entre esses deveres figura, sem sombra de dúvida, o apoio consular, o direito à aprendizagem da língua portuguesa por parte das novas gerações, criando escolas de português para os filhos dos emigrantes (onde elas se justifiquem) e, ainda, a difusão e divulgação da língua e cultura portuguesas.
Em qualquer parte do mundo onde viva um português, é sempre um prolongamento da Pátria lusa, aliás na esteira do que dizia Fernando Pessoa: “Minha pátria é a língua portuguesa”.
Nunca me hei-de esquecer daquele momento surpreendente e emocionante em que viajando com um grupo de conterrâneos nas estradas do Canadá, ao atravessar uma pequena povoação, deparo com um letreiro numa casa que dizia Mercearia Arcuense. Lembro-me que gritei para o motorista, excitadíssimo: "Pare, por favor, pare o carro, quero confirmar uma coisa que vi de fugida ali atrás."
Quando o motorista fez marcha atrás e me apeei do carro, quedei-me meio incrédulo perante o que os meus olhos viam. Também foi uma surpresa para os meus companheiros de viagem. Bati à porta, já que não havia ninguém à vista, e qual não é a minha surpresa quando ouço o meu nome pronunciado por um amigo, natural de Guilhadeses, o Tomás Brito, assinante do “Notícias dos Arcos”: “Olha quem está aqui, o sr. Mário Pinto!” - exclamou ele.
Calculem a alegria que sentimos todos com este encontro num lugar perdido daquele imenso e belo país – o Canadá. Pois, ali nos sentimos em Portugal, ali era um pedacinho de Portugal.
Ora Portugal que tem uma forte tradição emigratória, não pode renunciar a esse dever indeclinável de acompanhar os seus cidadãos em qualquer parte do mundo em que se encontrem.
Para que eles se sintam parte desta comunidade que “deu novos mundos ao mundo” e possam continuar a participar no esforço permanente de criar melhores condições para os portugueses de hoje e de amanhã.
2 Comments:
Gostei muito deste editorial do Sr. Pinto. Se nao fossem os emigrantes, para onde estava Portugal hoje? A pena e que tivemos de sair da nossa terra para o estrangeiro ou para Lisboa para arranjar umas migalhas. Mas quantas casas temos feito, e quanta mobilias, e quantos carros, e cantos productos temos comprado, o que faz uma importante parte da economia nacional?
Por vezes, os nossos comerciantes quando apanham os emigrantes no Verão em Arcos de Valdevez, é "um vê se te avias"... Tirar a fome da miséria. Refiro-me ao comércio tradicional. Enganam -se nos trocos, não afixam os preços das mercadorias, aumentam descaradamente o valor dos mesmos.Isto sem o mínimo sentimento de pejo,pelos conterrâneos que os visitam nesta altura do ano. Já uma vez mandei limpar a seco uma colcha, paguei na hora.Surpresa minha! quando a fui buscar ,devidamente embrulhada no plástico, estava na mesma - por limpar! Isto é um roubo descarado!Queixei -me e a maus modos acederam em limpar. Haja cuidado e atenção porque assim não cativam ninguém,e há muita concorreência nas grandes superfícies....
( a dita lavandaria na Lapa, também já fechou.)
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