25 de Maio de 2012

No Municipio de Arcos de Valdevez a lei autárquica sofre desprezos


Jorge Ferraz Lage
1. A QUEM COMPETE A TOPONÍMIA? - O diploma que regula as autarquias locais dispõe numa das suas normas que é a Câmara Municipal o único órgão a ter competência exclusiva para «estabelecer a denominação das ruas e praças das povoações». Compreende-se que não sejam vários órgãos autárquicos a terem competência nesta matéria, além do mais, para não se repetirem os nomes no mesmo município, pois suscitariam equívocos. Presentemente mais isto tem pertinência pelo cada vez maior uso de GPS. A lei é muito clara e objectiva em matéria de competência para denominação de ruas; mas, Emília Cerqueira, na qualidade de membro da Assembleia Municipal pelo PSD, apesar de ter formação jurídica e de ser repetente em termos de mandatos para este órgão não deixou de argumentar que o assunto também era da competência das juntas de freguesia!

2. CONSIDERAÇÕES DESACERTADAS - Vieram as considerações à colação para justificar a rejeição de uma proposta que sugeria à Câmara Municipal a atribuição a um largo que nem sequer tem nome popular específico. É que este de uma maneira geral é referenciado como sendo “o que fica à beira de”, ou, “em frente do cemitério” da vila de Soajo, ou que se situa no lugar Veiga da Vila, e assim sendo bem se justificaria que tivesse um só nome, aproveitando-se o ensejo para homenagear postumamente um Soajeiro de elevados méritos e figura consensual em termos de apreciações! Mas a senhora deputada num improviso pouco feliz disse que o Grupo Municipal proponente não deveria intrometer-se em assuntos que segunda ela erradamente, eram só da competência da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia! Ora as Juntas é que não a têm pois como atrás dissemos a competência é exclusiva da Câmara Municipal! Mas além disto também revelou desconhecer os seus poderes como deputada municipal na medida em que ao receber mandato por sufrágio democrático tem legitimidade para individualmente ou através do seu grupo municipal intervir na Assembleia Municipal usando ou podendo usá-los, entre outros, nos termos regimentais para «apresentar projectos, propostas, moções e requerimentos» e, ainda, para «solicitar a inclusão de assuntos de interesse concelhio na Ordem do Dia»!

3. HAVIA PRECEDENTES DE NOMES RECOMENDADOS - Também desconheceu que já se tinham apresentado na Assembleia pelo menos dois nomes, um do ilustre Soajeiro, Dom Abílio Rodas Ribas, por sinal uma das pessoas mais condecoradas da Europa, e outro de Augusto Cristina. A Câmara acolheu apenas este último consagrando-o à rua que está na continuidade da “Avenida Recontro de Valdevez”, situando-se a “Rua Augusto Cristina”, quase ao lado do imóvel onde decorrem habitualmente as sessões desta Assembleia. O nome do Senhor Dom Abílio embora prometido, publicamente, no dia da inauguração do Cruzeiro, em Soajo (Paradela), em Abril de 2009, aguarda pelos vistos uma inscrição no PSD, ou que a vila “probinha” ou as outras povoações soajeiras deixem de ser consideradas, como em tempos antigos, vias muito enlameadas e sujas por onde transitavam, conforme era geral num país predominantemente agrícola, carros de bois, animais e “pés-descalços”!

4. INTERVENÇÃO QUE NÃO SE JUSTICAVA - Não ignorando as normas regimentais o Sr. Presidente da Assembleia leu a proposta apresentada em que se continham certos considerandos para fundamentar o pedido. Mas também com alguma surpresa minha, talvez por não a ter lido atentamente, quis frisar que tinha de ser uma “proposta de recomendação”! Mas escusava de o dizer pois com toda a clareza e objectividade estavam contidas na proposta elementos que transpareciam que ela se inseria na letra e no espírito da lei, pelo que as observações feitas foram despropositadas, a não ser para que fosse explicitado o seu alcance aos votantes, mas neste caso não deveria o Presidente da Assembleia dirigir-se à minha pessoa para tentar esclarecer o propósito da proposta.

5. VOTAÇÃO PARA MANTER O STATU QUO! - Mas o que é conclusivo é que não foi aprovada na Assembleia. Se o fosse poderia ser entendida como uma manifestação de se querer uma mudança na política toponímica do município que tem descriminado também neste aspecto as autarquias tidas popularmente por “aurdeias”! Muitos dos presidentes de Junta são de freguesias pouco desenvolvidas, bem como outros deputados, mas pelo visto não querem qualificar as suas terras, preferem-nas arcaicas, fossilizadas, retrógradas! A maioria dos afectos ao PSD obedeceu ao “ordenado” pela senhora deputada Emília Cerqueira que falou em nome do partido para votarem contra! Todavia, quem conheceu o comportamento exemplar do primeiro residente do Largo que se pretendia nomear como “Largo Joaquim Rodas”, não hesitou em votar favoravelmente! Foi o caso do deputado da bancada do PSD, António Lima, ex-bancário na vila de Soajo, que através de declaração de voto elogiou na circunstância o simpático percurso de vida da figura a homenagear postumamente. Votos de abstenção foram dados pelos deputados do CDS, e por poucos afectos ao PSD incluindo o Presidente da Assembleia. Votaram a favor todos os membros do PS. Foi uma atitude feia e desnecessária votar contra, tanto mais que a decisão fundamental estaria nos termos da lei a cargo da Câmara Municipal que depois decidiria a sua concretização ou não! Foi de facto muito desagradável pois em diversas circunstâncias de louvores, votos de pesar, etc., votados na Assembleia, em muitas situações nem sequer houve votos de abstenção não obstante serem figuras desconhecidas de vários deputados.

6. SOAJO TEM DEVERES DE GRATIDÃO - Será que em Soajo não podem existir nomes de personalidades proeminentes do país nos seus largos e ruas? Como não há nome algum de Soajeiro na vila de Arcos e suas periferias, terá forçosamente de continuar este critério? Os factos históricos de Soajo e os méritos relevantes dos Soajeiros não merecerão igualmente ser dignificados? As “grandezas” têm de ser exaltadas naquelas, e as “pequenezas” são para as outras freguesias não periféricas da sede municipal, como querem muitos dos deputados e presidentes de Junta afectos ao PSD, de entre os quais o de Soajo? Este último já não se lembra do tempo de infância em que quase sempre sem tamancos, mas descalço como era frequente na época, vagueava nas vias enlameadas de Soajo; mas hoje pisa-as com sapatos engraxados porque além do mais o mundo mudou, e também as solas das ruas da sua autarquia se modificaram! Se o visual deste autarca mudou, por que não deve mudar em aspectos relevantes a imagem das povoação de Soajo e das outras autarquias? Não deverá a LEI DAS AUTARQUIAS merecer conformidade com um “mundo novo” redesenhado com a letra e espírito da “Constituição do pós-25 de Abril”? Os valores e princípios desta só são para aplicar onde despejam exageradamente os dinheiros do município? Estamos convictos que os “puxa para trás” irão ser derrotados no futuro e serão sentenciados como atrasadores das suas terras por só mendigarem migalhas perante o mandante - “Rico-Homem” – de um município que nunca desistiu de entregar parte largamente desproporcionada do bolo à privilegiada, mas bastante à custa das “probinhas”. Não deverá o “Rico-Homem”, principal responsável destas acções desequilibradas, ascender ao pódio, na “vila dos milhões”, para ser glorificado? Não deverá subir as escadas do pelourinho da “vila dos tostões” para receber punição pela repartição dos dinheiros que fez? Uma outra exemplar “sentença com justiça” da autoria do incorruptível magistrado do tribunal de Soajo, M.D. Sarramalho, poderia também ser acompanhada mais uma vez por uma magistral dignificação da toga que trajou e que foi memorizada pelo povo como uma “capa” ou “capote” de inestimável “chá” no Tribunal da Relação do Porto! Qualquer vulgar “Ti” de rua, não seria capaz de dar expressão a honrarias tão persuasivas e modelares, devidamente ajustadas aos espaços é às pessoas, de molde a prezar o exercício judicial no Reino de Portugal como o fez, o que tratavam por “Senhor Juiz Domingues Sarramalho”, no cumprimento dos formalismos adoptados nos tribunais da sua época!

7. A PROPOSTA APRESENTADA – O desprimor, a deselegância, a desconsideração de muitas pessoas afectas ao “partido da seta” – PSD - poderá verificar-se a seguir ao terem recusado na sua principal essencialidade o que se submeteu a votação. E isto num município que recebe dinheiro suplementar do Estado através do Fundo de Coesão Municipal por ser mais atrasado do que outros concelhos do país, para se corrigirem diferenças de desenvolvimento. Mas dentro dele desprezam-se as regras de coesão, isto é de harmonia, de jogo limpo, de união, porque não há na lei um “Fundo de Coesão de Freguesias” e, infelizmente, “ceguinhos” de espírito, votam de olhos tapadinhos ao lado dos que os “comem bem”! Fazem-no como se estivessem a tratar de preferências de clubes de futebol! E então não se vota a favor do bem-querer, como aconteceu desta vez, porque antes querem o mal como sucedeu perante esta positividade apresentada em  2012/4/27.

Jorge Ferraz Lage
Soajo

"Alto do Minho," um filme documentário



Trailer "Alto do Minho" from MIGUELFILGUEIRAS on Vimeo.

Director MIGUEL FILGUEIRAS / Direction of Photography PAULO ALEGRIA / executive producer JOSE FILGUEIRAS / Music NORBERTO LOBO / Sound DIOGO AMARO / Sound production DIOGO AMARO / JULIO VIANA / Post Production Sound Editor PAULO MIRANDA / Illustration PAULO BARROS / Text EDUARDO SARDINHA / Translation LIGIA MARTINS

Alto do Minho, mais do que um documentário é uma impressão. Parte de terras baixas para a época alta, para mostrar diversos matizes. O antes e o depois, que são os mesmos ciclos Atlânticos imutáveis da paisagem montanhosa, apesar de tudo. E o alto. Onde o profano se confunde com a fé como o passado com a actualidade. Alto do Minho, mais do que um filme é um retrato que mexe. Relances que podem ter ao fundo o épico de Gance, mas que são uma observação etnográfica pop, à superfície do sentimento latente. Congela anónimos e paisagens de romarias, geografias em planos numa montagens impressionista, de uma subjectividade a roçar o aleatório. 

Alto do Minho is more than a documentary, it’s an impression. It sets off from the lowlands to the high season, to show different shades. The before and after, which are, after all, the same immutable Atlantic cycles of the mountainous landscape. And the upper lands. Where the profane is mistaken for faith, such as the past with present times.  Alto do Minho is more than a movie, it’s a moving portrait. Glimpses that may bear the epic background of Gance, but that are a pop ethnographic observation, which rises up to the dormant feeling.  It freezes up the anonymous and landscapes of popular festivals, geographies in shots with an impressionist editing, impregnated with an underlying randomness.

30 de Abril de 2012

Seca atinge criadores de animais que já compram feno em Espanha


Seca atinge criadores de animais, que já não têm pasto para lhes dar!

A seca está a levar os criadores de gado a comprar feno em Espanha. A situação regista-se na aldeia de Soajo, em Arcos de Valdevez, onde já quase não há pasto para dar aos animais.

Há quatro meses que a chuva não aparece em Soajo e a seca está a deixar centenas de animais sem nada para comer. A solução encontrada por cem produtores passa pela aquisição de feno no país vizinho. O principal obstáculo para esta solução é o preço de cada fardo, 3,5 euros. Muitos agricultores já não conseguem pagar o preço.

Para ver o vídeo de notícias no tvi24, clique aqui.



A Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez quer matar a "Serra de Soajo"

Jorge Ferraz Lage
1. NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL A MÁSCARA CAIU! – O que vinha sendo feito de uma forma disfarçada, desde há cerca de vinte anos, pelo órgão executivo do município de Arcos de Valdevez – a Câmara Municipal - agora já é feito directamente, de rosto destapado, sem receios, sem constrangimentos, até numa sessão pública da Assembleia Municipal!

Esta por definição constante no seu regimento, é o órgão representativo e deliberativo do Município que visa a salvaguarda e prossecução dos interesses próprios das suas populações. Mas não obstante estes seus intuitos, no anfiteatro da Casa das Artes, na sessão pública da Assembleia, realizada, no dia 27 de Abril, durante a apresentação dos documentos de prestação de contas da gerência de 2011, uma desavergonhada provocação foi feita a Soajo e aos Soajeiros!

Projectam no ecrã, na tela “gigante” do anfiteatro um enorme mapa geográfico do território do município a cores, sem as divisões e os nomes das freguesias, onde apareceram os habituais círculos das povoações que as representam, em letras de tamanho normal. Mas, mas, mas,…, para humilharem Soajo e os Soajeiros, no interior do mapa com enorme destaque, usando letras exageradas, e a vermelho, para a provocação se tornar muitíssimo mais visível e notada, e numa dimensão de cerca de dois metros ao longo do mapa, expuseram SERRA da PENEDA , em substituição da SERRA de SOAJO!

Só lhes faltou projectarem uma outra imagem, logo de seguida, a exibir os três principais camaristas a espingardarem soajeiros estendidos no chão, de braços erguidos a empunharem bandeiras com o nome da verdade genuína, autêntica, a SERRA DE SOAJO, que atravessou os séculos de duração de Portugal acompanhando as do Gerês e Marão, nas descrições das mais importantes serras de Portugal. Mas de imediato a tão inaceitável desfeita, a investida tão safada, a menção tão provocatória, ergueu-se um soajeiro para repudiar tamanho atrevimento e leviandade num órgão que visa garantir, proteger, defender os interesses das populações do município, obviamente num enquadramento de exactidão! E também não esperou pelo acender das luzes para pedir o uso da palavra, porque o insulto ultrapassava as raias do tolerável, e defender depois um nome geográfico que é caro a Soajo, ainda poderia não encontrar devidamente afinada a sensibilidade do “honrómetro” do presidente da Assembleia! Também, por que, aquando da abertura das luzes se poderia perder a oportunidade pela amnésia ou insensibilidade de muitos dos membros da Assembleia do PSD. É que a maioria da «máquina» do PSD na Assembleia é, por vezes, facilmente movimentada obedecendo cegamente à “palavra de ordem” da senhora porta-voz dos “serviços do odioso”!

De facto uma senhora, em diversas circunstâncias suscitadas em situações de imprevisto e, sem a devida ponderação, transporta para a tribuna da Assembleia as irreflexões, as perseguições do “grupinho de decisão rápida” que não olham a meios para alcançarem os seus intentos. Sabe-se bem que querem desgastar a imagem de alguém que está na oposição, não disposto a pactuar com tantos desequilíbrios no desenvolvimento do concelho. Servem-se de certos pretextos, porque não ignoram que os seres humanos têm tendência para olharem para as aparências, focando-se, em geral, mais nos efeitos, e muito menos nas causas. Concentram-se mais nas reacções aos provocadores do que nas acções originadas e causadas pelos provocadores. Armam por vezes sem o menor escrúpulo armadilhas para passarem rasteiras aos adversários, e os menos avisados não se apercebem das ciladas, nem as interpretam nesses cenários.

Mais parecem ingénuos chegados da Lua. Só que há quem dê mais importância à sua “pátria”, por mais pequena que seja, do que às interpretações de certos analistas ou às interpretações de alguns presentes iludidos. Há de facto, quem não se importe com os descréditos tentados, com a deterioração da sua imagem pública, porque os sadios, os independentes, os seus verdadeiros amigos e conhecidos não vão nas fintas dos “politiqueiros profissionais” que se alimentam de “miseráveis métodos” para conveniência própria! Quem é membro eleito para a Assembleia Municipal (e não aspira a viver da política, porque nunca viveu dela no tempo da sua vida profissional) deve assumir o «compromisso da defesa dos interesses do concelho e das suas populações, no respeito pelo mandato que lhe foi conferido» como reza o regimento. Mas deve fazê-lo SEMPRE NO ESCRUPULOSO RESPEITO PELA VERDADE, nem que isso lhe traga desgaste na imagem pública, incómodos, animosidades e incompreensões, quando se geram situações muito desagradáveis na Assembleia. Desafia-se o trio camarário para irem ao Porto retirar a placa toponímica contendo “Rua de Soajo” e deixem a da Peneda a ladear a do Gerês e Marão!

2. COMO PASSARAM OS MONTES DE LABOREIRO A PENEDA? – O Padre Bernardo Pintor escreveu em «O RECONTRO DE VALDEVEZ ONDE FOI?», que não sabia dar resposta à pergunta em epígrafe. E nos termos em que o fez nunca o conseguiria fazer porque os “Montes de Laboreiro” como nome geral desta serra nunca constou nas descrições das serras de Portugal no decurso dos séculos a nível de divulgação, e mesmo que se admitisse como tendo sido nome genérico da serra, teria passado a Serra de Soajo e não a Peneda, porque foi este o nome consagrado pelos homens da cultura, como se pode verificar na investigação feita sobre as serras de Portugal da que foi Presidente do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, Suzanne Daveau, que em “Estudos Introdutórios” à obra da “Descrição do Reino de Portugal” de Duarte Nunes de Leão, não fez qualquer menção a “Montes de Laboreiro”no quadro por si elaborado com os nomes de serras citados por autores consagrados.

Nestas a Serra de Soajo é exposta, sendo que o primeiro mapa conhecido de Portugal, de Álvaro Seco, aparece “Portela de Olelas-Peneda” a denominar a Portela de Tibo. Serve isto para dizer que o arqueólogo Martinho Baptista admite que “Os Montes de Laboreiro”, lançado por B. Pintor é uma verdade categórica, dogmática, pois não soube qual a causa primeira com fundamental eficácia e eficiência, a causa causadora dos erros que, alastram, chamando em geral à Serra de Soajo, Peneda, como verteu com grande ligeireza no Boletim de Valdevez, editado pelo G.E.P.A., este abalizado arqueólogo, onde também disparatou, escrevendo que os habitantes da Gavieira nunca gozaram dos amplos privilégios concedidos aos de Soajo pelos reis de Portugal!!!... Falo da obra de Pintor porque passou a ser obra fonte de informações em Melgaço e em Arcos de Valdevez para trabalhos académicos e doutra natureza sobre esta serra a que recorreram depois de 1970, fundamentalmente, Isabel Medeiros, Coudé-Gaussen, Martinho Baptista, Elsa Carvalho, vários autores sobre Castro Laboreiro, o jovem arcuense Cerqueira Barros, etc.

Se Pintor não soube explicar o rigor do nome da serra, e como se suscitou a baralhada existente que corre em favor da Peneda, por causa do erro no nome do Parque Nacional, também os seus escritos não conseguem convencer a “Academia das Ciências”, ou a “Academia Portuguesa de História” com a sua argumentação sobre o “ajuste” entre Afonso VII e o primo Afonso Henriques, porque a história impõe-se com provas documentais e não com subjectividades. A pergunta onde foi o recontro, poderá formular-se, nestes termos: Houve batalha ou um mero encontro para a paz? Foi em território hoje de Monção, ou no do Vale do Vez? Em que ano foi ao certo? Por outras palavras: Se foi, quando foi, onde foi, como foi e o que se decidiu? Haverá respostas para isto tudo, algum dia?

Sobre o nome da serra de Soajo, a ciência tem-nas às centenas, haja vontade para respeitar a verdade na história e na geografia de Portugal! A serra de Soajo não cai minimamente no âmbito do lendário, nem é uma lengalenga, sendo que por lenda se entende também o que cito: «exposição alterada pouco a pouco pela tradição». E a Veiga da Matança à luz dos documentos sobre os possíveis “cumprimentos para a paz, para tréguas” dos dois primos, não deixa de ser local lendário…

Jorge Ferraz Lage
Soajo

29 de Março de 2012

Joaquim Rodas, um Soajeiro exemplar

Joaquim Rodas
O relógio do tempo “tempus”, o do ciclo dos dias e das noites em ambiência da nossa latitude, deixou na dimensão do finito de funcionar para Joaquim Rodas, remetendo-se como medidor à inutilidade, por o Supremo alterar as agulhas no sentido do tempo “aeternita”, no qual não se referenciam os limites de princípio e fim. Sabíamos que este distinto Soajeiro, se confrontava com uma doença difícil de superar, e de facto desta última vez não a conseguiu vencer, porém a esperança de a ultrapassar de novo, acompanharam-no até ao momento da viragem.

Nesta ocorrência os seus muitos amigos e conhecidos curvaram-se perante o seu corpo em câmara ardente no Centro Social, para lhe tributar o quanto o apreciaram como Homem e como Soajeiro de superiores predicados, porque sempre nele viram cultivar o bem, a lealdade, a bondade, a generosidade, e defender sem tibiezas o que lhe parecia justo. Sempre revelou admirável aprumo moral; sempre foi correcto, educado e cordial; sempre foi incapaz de descer ao insulto, à mesquinhez, à aleivosia. Podia discordar, porque tinha as suas próprias opiniões, mas apesar da frontalidade e franqueza que o caracterizavam não despeitava.

Foi um grande amigo de Soajo e dos soajeiros. Todos lhe reconheciam uma especial irradiação de simpatia, simplicidade, humildade, tolerância e elevadíssimo espírito de cooperação e solidariedade. As suas boas acções estenderam-se com muito afecto e empenhamento não só perante as pessoas vistas individualmente, mas também no enquadramento da comunidade soajeira. Ainda novo, interiorizou que a censura aos meios de comunicação social coarctava a liberdade de expressão, valor que reputava imprescindível para dar dignidade ao ser humano. Sentiu-a negada pela ditadura corporativista do “Estado Novo” instituída em 1933, precisamente o ano em que veio ao mundo, mas que continuaria ainda pelas décadas de 50 e 60, épocas em que ainda não tinha contactado com as democracias dos países onde viria a viver: França e USA. Dentro dos limites da sua capacidade e possibilidades manifestou sempre profundo desacordo pela inexistência de liberdades essenciais em Portugal, louvando e apoiando os que por elas se batiam com intensa exposição pública e risco de vida.

No pós-25 de Abril, quando regressou dos Estados Unidos aderiu ao partido democrático português que, em sua convicção, era o que mais se aproximava do que simpatizara na América do Norte, e, ainda, do que pertencia à mesma família política do Partido Socialista Francês, do qual se deixara seduzir aquando da sua vivência pelas terras de que Paris é a capital. Abraçou, por isso, para o resto da vida o PS, fundado e liderado durante muito tempo por Mário Soares, o qual se suportava numa base classista popular e numa corrente ideológica de liberdade, estruturado em regras, princípios e preceitos, que serviriam no seu entendimento da melhor forma, nos planos de iniciativa individual e no âmbito social, os seres humanos. Foi no concreto, na vida quotidiana, um entusiasta praticante dos ideais que conformavam o seu espírito, pelo que se impôs à consideração e respeito das pessoas dos diferentes quadrantes políticos que sempre o admiraram como modelo de ética e moral.

Ajudou a dinamizar localmente várias iniciativas apoiando financeiramente e com o seu trabalho, de diferentes naturezas, certas construções, de que se destacam a ampliação da Casa do Povo juntamente com o Prof. António Amorim, presidente da sua direcção, bem como uma casa para um soajeiro que passava por uma situação de grandes carências. Esteve sempre na linha da frente em apoios anímicos e materiais, sempre bendizendo da construção do Centro Social e Paroquial, obra nascida e executada pela grande dedicação e empenho do Padre Manuel Domingues, que se revela obra altamente prestimosa no quotidiano ao serviço de Soajo e dos Soajeiros de todas as suas povoações. Foi um dos aderentes e entusiastas à exequibilidade da erecção do cruzeiro do Alto do Muranho, impulsionada pelo saudoso Joaquim Santos, para homenagear a figura que também muita admirava, Dom Abílio Rodas Ribas.

Ainda há poucos meses lembrava que devia ser reposto na verticalidade, para afirmação do querer bem ao mensageiro Supremo, ao homenageado, e para enriquecimento cultural e patrimonial da Serra de Soajo. Ainda há menos de um ano, receando-se os obstáculos para a colocação da estátua de Dom Abílio, se disponibilizou para contactos com seus familiares para a deixarem assentar num terreno privado que ladeia o arruamento situado entre o parque da feira e o monumento à Serra de Soajo, conseguindo pronta autorização.

Viveu e apoiou sempre com grande entusiasmo a afirmação inequívoca da dignidade de vila, da sede de Soajo, e, quis, ao lado do seu sobrinho António Cerqueira, promover e patrocinar um convívio entre Soajeiros como júbilo pela legitimação alcançada na Assembleia da República. Deixou-nos envolvidos na difícil tarefa de recuperar prestígios de Soajo, sem que possamos contar com o seu incondicional e insistente apoio, para repor o inequívoco nome da Serra de Soajo, e por consequência o seu nome no Parque Nacional, que foi apodrecido pela ignorância de uns, e pelo malquerer dos inimigos de Soajo. Apesar de tudo isto constituir uma completa e confrangedora injustiça para com uma terra que se vê cada vez mais destituída de ícones reais e emblemáticos que lhe dariam a devida e merecida notoriedade e reputação, prometemos continuar a sua e nossa luta, em reconhecimento de todo o esforço e entusiasmo que devotou a estas causas.

Pelo que se observa Joaquim Rodas foi um Soajeiro que sentiu que a consciência das pessoas é resultado da sociedade em que se vive, mas também soube que as acções desenvolvidas pelos seres humanos influenciam, num maior ou menor grau, as estruturas predominantes, de qualquer época e em qualquer espaço geográfico, o que fez com que nunca se alheasse dos seus deveres de cidadania. Ao seu funeral compareceu muita gente, também residente em várias zonas do país, e depois da missa em sua consagração, presidida por D. Abílio Ribas, com a colaboração do Reverendo Custódio Branco, continuou até ao cemitério a sua urna coberta com um guião e uma bandeira contendo a data da aprovação no Parlamento da sua querida Vila de Soajo, a que assistira com afectiva emoção e enlevo. Inumado, em jazigo de família, Soajo e os Soajeiros jamais o esquecerão, sendo que vai ser sugerido e proposto na Assembleia Municipal para que o espaço, entre a moradia onde deixou de viver e o campo santo (de que foi o primeiro vizinho) venha a conter um nobre e honroso nome - Largo Joaquim Rodas - em gratidão a um Soajeiro que unanimemente foi tido como um “Homem Bom” e de acções exemplares na vila e freguesia de Soajo.

À sua coesa família, que tanto se estimava em reciprocidade plena, esposa, filho e netos, e à filha professora D. Maria da Conceição Rodas Couto que se deslocara há tempos para o acompanhar na doença, vinda propositadamente dos USA, endereçamos o nosso profundo pesar, mitigado por continuar entre nós, em espírito, a lembrança de um invulgar Homem de Soajo.

Jorge Ferraz Lage

9 de Março de 2012

A propósito da polémica sobre ruas ou caminhos em Soajo, e ofensas, na assembléia municipal

Prof. Jorge Lage
1. RUAS NAS POVOAÇÕES DO MUNÍCIPIO - Num contexto da aprovação de proposta apresentada na sessão da Assembleia Municipal (A.M.) de 24 de Fevereiro último, e que antes fora aprovada pela Câmara Municipal (C.M.), depois de aprovada e apresentada pela “Estradas de Portugal, S.A.”, para o estabelecimento das áreas das estradas que devem ser consideradas como inseridas em aglomerados urbanos, nos termos do Decreto-lei nº 175/2006, para fundamentalmente, se estabelecerem entre outros, reduções de velocidades de circulação de veículos, salvaguarda das convenientes condições de segurança de peões, mas também para se poderem adequar às leis em vigor, as licenças a passar das edificações, nomeadamente no que concerne a distanciamentos da via tomada como RUA, nos termos desta lei, entendi fazer algumas considerações pedindo o uso da palavra nos termos regimentais. Na verdade situações de ambiguidade existiam para saber se nestas estradas, em certos troços, eram ruas ou não, o que suscitava para certos efeitos, por vezes, consequências injustas na solução de certas questões, como indemnizações em sinistros, espaço para feiras, festividades, etc. Clarificam-se em dezasseis freguesias do município e em certos troços das estradas que estão dentro de áreas urbanas consolidadas, a sua qualidade de RUAS. Numa dinâmica de ajustamento a realidades alcançadas, nalguns casos, tardiamente, por que, pelo menos, já nos meados da década de 1991, se deveriam ter consideradas como ruas, certas vias das estradas, em aglomerados urbanos! E a este propósito recordei, o tratamento tantas vezes desajustado, direi até depreciativo, ao considerarem como “núcleo rural de Soajo” a zona histórica da Vila de Soajo, quando na Assembleia Municipal, se apresentavam nos “Relatórios de Actividades do Executivo”, referências às pavimentações em laje de granito das suas RUAS, que eram tratadas por caminhos! Alguns bem se lembrarão de em uma das faixas de rodagem, na Vila de Soajo, se colocarem tendas de feirantes, dificultando o trânsito, o que nos obrigou, depois de anos e anos de insistência feita por diversos Soajeiros em jornais locais, a ousarmos a colocação de automóveis na outra faixa para obrigar à tomada de medidas, para que adequado espaço de feira fosse arranjado! Cheguei a criticar em termos construtivos a Câmara, perguntando com alguma ironia, se o “núcleo rural de Soajo” em pavimentação era o da Branda de Bordença (perto da povoação de Adrão, dado que esta deveria ser considerada como sendo também aglomerado urbano, dado o seu habitat ser altamente concentrado)! Todavia, na sessão de 24/2 da A. M., tive o cuidado de relativizar e de contextualizar as terminologias e os conceitos dizendo que muitas vezes estes se ajustam aos diferentes ramos do pensamento e expressão do saber. Em virtude de no texto da supracitada proposta vir agora a ser considerada como rua, um troço de via com 1,3 km (um quilómetro e trezentos metros), no aglomerado urbano da Vila de Soajo e, de ter lido, recentemente, uma tese de doutoramento em Geografia Humana, defendida na Universidade do Minho, em que a sua autora, em 2006, não considerou nenhuma «rua na aldeia da “vila” de Soajo», talvez influenciada pelo que Félix Alves Pereira, escrevera em 1914, na publicação “Notícia Sumária acerca do Soajo”, trouxe à colação, no contexto do assunto, usando da liberdade de expressão regimental, e de expressão de liberdade, do que me ocorreu em liberdade de pensamento, a problemática das ruas na Vila de Soajo. Efectivamente, a autora da tese, escreveu “ruas” e “vila” desta forma, isto é, entre comas, para dizer que não concordava com estas designações, e que apenas se limitou a citar o que as pessoas dizem ao falarem, e bem, da sua vila, de Soajo! De facto, a autora da tese, doutora Elza Carvalho, muitas e muitas vezes, escreveu na sua tese de 851 páginas: «aldeia da “vila”» e «“ruas”»! Quanto à sede de Soajo não ser vila já teve resposta legal, e agora no enquadramento legal da supracitada lei passa também a ser contrariada, parcialmente, a sua posição. Mas não deixa de ser curioso, ter escrito que a tal “vila” de Soajo, conformava uma «mancha urbana compacta» e que o termo “vila” era usado em substituição de um conjunto de dez lugares juntos, articulados por caminhos que são “ruas” sinuosas, dando à aldeia uma configuração em mancha compacta! Usou, então, a expressão “vila” para englobar os dez lugares, mas por causa desta “vila” pormenorizou: «não se pode confundir com o topónimo Vila, núcleo urbano, quase sempre nas áreas rurais, sede de concelho, pois escrevemos vila com letra pequena e entre aspas»! Comento isto dizendo que é uma “chinesice”, um erro grave, o considerar neste contexto, Vila, como topónimo, quando ele tem de ser considerado nos termos do direito administrativo, como uma categoria de povoação, e não como nome de povoação, para se negar que não se trata de uma aldeia, ou de cidade!!! E se uma doutoranda escreve isto, e, se a orientadora Professora Doutora Rosa Fernanda Moreira da Silva aceita, e se os professores universitários que integraram o júri das suas provas de doutoramento, não corrigiram esta asneira, como se pode pretender que um modesto escolarizado com a quarta classe do ensino primário, do tempo do Estado Novo que, como a generalidade dos portugueses, pouco evoluiu em matérias científicas, usasse com satisfatório rigor o conceito de rua na Assembleia Municipal! E digo isto porque, também, na tese de doutoramento, o conceito de rua não deveria ficar à mercê das subjectividades dos diferentes académicos que intervieram, directa ou indirectamente, na sua confecção, apreciação e aprovação, tanto mais que concorreram para rebaixar uma povoação, escrevendo ou aceitando que nela não há ruas, e que os seus habitantes se movimentam sobre vias que não têm a categoria de ruas!

2. RUAS, SEGUNDO A LEI - Sucede que no ordenamento jurídico português parece que só em matéria do “código da estrada” se abordam conceitos sobre vias de comunicação, mas nele não se aborda a noção de rua, embora o decreto-lei supracitado assuma a categoria de rua! Mas então o que é uma rua? O significado de rua, mais comum, constante nos dicionários é: «via de comunicação terrestre, menos larga do que a avenida, ladeada de casas, paredes, ou renques de árvores, no interior das povoações». E que é um caminho? «Qualquer via de comunicação». Se assim é, mesmo que se trate de uma povoação classificada como aldeia, numa sua via desde que esteja no seu interior, não tem, não deve, ser apresentada com a grafia “ruas”, isto é, entre comas, numa tentativa de as depreciar! Porém se, se trata, de aglomerado urbano consolidado, como é o caso de Soajo (vila), então mais se deveria salientar nas suas vias a dignidade de autênticas ruas, distinguindo-as, em posicionamento e qualificação, dos seus caminhos exteriores, para as bouças, para os montes, para as brandas etc., porque estas é que não podem ter, em geral, a categoria de ruas! Além do mais, a imagem, o visual das povoações, não tem, não deve ser descurado, pois razões de marketing e outras, especialmente numa região de turismo, aconselham que os seus predicados notáveis sejam expostos em placas toponímicas para se transparecerem históricas instituições, cargos, personalidades de mérito, acontecimentos de relevância histórica e social, etc.,. Não devem ser tratadas estas matérias por quem não tem sensibilidade e qualificações necessárias para afirmar e defender relevantes valias.

3. QUEM PODE DAR NOME ÀS RUAS? - Os legisladores tiveram consciência disto e, como tal, atribuíram nestas matérias, a competência exclusiva às câmaras municipais. Transcrevo da respectiva lei o que compete à câmara municipal: «Estabelecer a denominação das ruas e praças das povoações e estabelecer as regras de numeração dos edifícios». No entanto, noutro artigo da mesma lei, fala-se das “Competências delegáveis nas freguesias” nos termos seguintes: «A câmara, sob autorização da assembleia municipal, pode delegar competências nas juntas de freguesias interessadas, mediante a celebração de protocolo, onde figurem todos os direitos e obrigações de ambas as partes, os meios financeiros, técnicos, e humanos e as matérias objecto da delegação.» Mas esta delegação não pode ser para dar o nome a uma rua, só pode ser concedida para «colocação e manutenção da sinalização toponímica». Quer isto dizer que, a junta pode colocar as placas, mas com os nomes das ruas, já antes escolhidos pela câmara!

4. ILEGALIDADES DA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE SOAJO - O senhor presidente de junta (e aqui dito sem o tom acintoso e vexatório, nada jocoso, mas indigno, que usou ao se referir a mim na tribuna “esse sinhôôr, é um sinhôôr…” ) disse que a atribuição das designações das ruas da Vila de Soajo (que consideraram caminhos, usando, genericamente, a expressão “Caminho de…”), resultou de decisão tomada na Assembleia de Freguesia, afirmando “que é soberana” nestas matérias! Mas apesar de ser muito escorreito o presidente de junta, nada deselegante, como alguns (poucos) dos seus “correligionários”, afirmo, publicamente, que praticaram várias ilegalidades, as quais devem ser reparadas, porque a Assembleia Municipal não autorizou esta delegação de competências ao presidente de junta e, à Assembleia de Freguesia de Soajo, nunca o poderia fazer! Também não deixa de ser insólito o conceito de rua do presidente de junta porque disse que uma via, só é rua, se tiver “um passeio”! E como uma avenida pode ser considerada uma rua, embora mais larga, a baptizada de “Avenida 25 de Abril” no contexto pós-revolução, ao não ter qualquer passeio, na maior parte da sua distância de mais de quilómetro e meio, então, por que a justificou o presidente de junta como rua, na A. Municipal?!

5. “HONRÓMETRO” AVARIADO?! - Mas se há um membro da Assembleia que é «maluco…», e o presidente da Assembleia Municipal não fez quaisquer reparos a quem o caluniou, e não autorizou o uso da figura regimental ao atingido, para que pudesse fazer a defesa de honra, iremos ver se será usado ou não, o direito regimental de apoio em processo judicial que tem como causa o exercício de funções na Assembleia Municipal… Expor e defender ideias é uma coisa, insultar os opositores de bancada, é procedimento inaceitável…

6. DEVEMOS ENTRAR NO BOM CAMINHO! – Os Soajeiros foram alertados por várias pessoas dizendo: “por este caminho não vamos lá”! Uma terra devia ter como seu timoneiro quem unisse, quem reunisse consensos, quem a servisse com exigência e determinação, quem respeitasse a dignidade dos outros, quem tivesse aversão a comportamentos ditatoriais e de arrogância, quem a perfumasse com as doçuras da concórdia, e não quem cultive vinganças, represálias, perseguições, ódios, perante quem não concorde com as suas asneiras, ideias e procedimentos. Na “Voz de Soajo” (que penso não se irá remeter em definitivo a mera saudade, porque, actualmente, além do suporte em papel está disponível a tecnologia digital, e que, infelizmente, não foi acarinhada como deveria por todos os representantes sentados nos cargos do poder autárquico de Soajo, nos três últimos mandatos, porque a queriam monocórdica e subserviente, em vez de plural) pela pena de vários colaboradores, se afirmou que as qualidades e carácter dum treinador, dum orientador, dum chefe, deviam ser bem diferentes das de qualquer mero jogador. O primado da razão, a busca da verdade, o equilíbrio no bem servir, deviam ser características dos que se devotam ao serviço público com responsabilidade! Infelizmente para Soajo aqueles que pautavam os seus comportamentos por estes diapasões tiveram de abandonar as cadeiras autárquicas dizendo que os comportamentos e qualidades do principal responsável não lhes davam provas de exemplaridade. Soajo, só aproveitou o período de ouro dos fundos europeus, mediocremente, porque mais importante do que a servir foi servir-se! Não fossem as lutas, os combates da oposição, reprimida e perseguida tantas vezes por inqualificáveis agressões através da Rádio Valdevez de que iriam aos Arcos “papões de criancinhas”, como aconteceu nas históricas jornadas da manifestação na vila dos Arcos, e, também na “Avenida 25 de Abril”, determinadas obras não teriam sido concretizadas em Soajo. Sabemos que “arrepiar caminho”, não é possível com dois timoneiros que actuam no presente em Soajo, e por este “caminho não vamos lá”, todavia, Soajo, tem de ter esperança, pois daqui a dois anos pode vir a “estar no bom caminho”, sem práticas de compadrios, sem favoritismos, respeitando-se basilares princípios e valores, e usando a firmeza, o rigor, em serviço do bem comunitário. Concluímos apelando para que os Soajeiros se batam pedindo comportamentos edificantes e argumentos convincentes na procura de respostas que solucionem carências de Soajo, e bendigam sobre os méritos, mas critiquem construtivamente os deméritos, sem esconjurarem quem quer seja.

Vila de Soajo, 8 de Março de 2012
Jorge Ferraz Gonçalves Lage

13 de Fevereiro de 2012

Arcos de Valdevez: Gabinete Técnico Florestal organiza Plano de Queimadas

A Ação de Formação em Fogo Controlado, promovida pelo Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo, com o apoio de todos os Municípios do Alto Minho, mereceu um investimento público na formação e capacitação dos técnicos municipais afetos ao Gabinete Técnico Florestal e ao Serviço Municipal de Proteção Civil.

Neste sentido, o Gabinete Técnico Florestal da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez organizou, em colaboração com a Associação Florestal Atlântica, um Plano de Queimadas que abrange as freguesias de Sabadim, Vilela, S. Cosme e S. Damião e Sá.

No passado dia 13 de Janeiro, no âmbito do Curso de Fogo Controlado, onde participaram todos os técnicos dos GTF’s do distrito, assim como as técnicas da Associação Florestal Atlântica, Associação para a Cooperação entre Baldios (ACEB) e um membro da corporação de Bombeiros Municipais de Viana do Castelo, foram queimadas 2 parcelas com uma área aproximada de 3.0 ha.

Nesta ação os meios de supressão envolvidos foram uma equipa dos bombeiros voluntários de Arcos de Valdevez, uma equipa do GIPS, equipas de sapadores florestais (Atlântica SF 10-111 e AFL (Ponte da Barca) - SF 09-111) e equipa do Serviço Municipal de Proteção Civil.

Dando continuidade ao trabalho iniciado, no dia 25 de Janeiro, foi levada a cabo uma queimada licenciada, na freguesia de Sabadim, lugar de Cabanas, tendo sido queimada uma parcela com uma área de 5 ha. A queima foi da responsabilidade dos técnicos dos GTF's do Alto Minho, nomeadamente: de Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Paredes de Coura, Ponte da Barca e de Vila Nova de Cerveira e da Associação Atlântica, apoiados pelas seguintes equipas: equipa do GIPS-GNR, equipa de sapadores florestais (Atlântica - SF 10-111), equipa do Serviço Municipal de Proteção Civil e uma viatura de apoio com kit de primeira intervenção da Junta de Freguesia de Sabadim.

A ação contou ainda com a supervisão do CPE (Coordenador de Prevenção Estrutural) da AFN para o distrito de Viana do Castelo e com o acompanhamento do Presidente da Junta de Freguesia de Sabadim.

Estas ações foram estrategicamente planeadas, tendo como principais objetivos:

§ Compartimentação do espaço florestal através da localização estratégica de parcelas de gestão de combustível. Esta compartimentação do espaço florestal tem como objetivo impedir a propagação de grandes incêndios em dias de perigo extremo. A localização estratégica da área para queima no espaço florestal teve em conta o historial de propagação do fogo na área, os rumos preferenciais de propagação destes incêndios e a atual ocupação do solo;

§ Renovação e melhoramento de pastagens. A queima controlada permitirá renovar as formações arbustivas estremes melhorando a palatibilidade do alimento disponível criando um mosaico de vegetação diverso;

§ O plano de queima irá ter ainda em consideração, as áreas de refúgio de caça, sendo prioridade salvaguardar as mesmas de forma a não interferir na gestão da caça.

Pretende-se dar continuidade a este trabalho, através da elaboração de Planos de Fogo Controlado e de Queimadas (licenciadas) ao nível concelhio, com o objetivo geral de DFCI - Defesa da Floresta Contra Incêndios. (Fonte: Correiro do Minho)

31 de Janeiro de 2012

Numa tese de Mestrado em arquitectura, Peneda, em vez de Soajo!

Jorge Ferraz Lage
1. O TOPÓNIMO “PENEDA” LIGADO A PENEDIA DE SOAJO – Foi na paróquia de Soajo que se construiu uma “ermidinha” (pequenino templo), num vale, com cerca de 700 metros de altitude, junto de um monte onde sobressai volumosa penedia. Aqui se desenvolveu o culto a Nossa Senhora das Neves da Peneda, no Soajo! À envolvente geográfica do monte - “Penedo da Ermidinha”- quase talhado na vertical, e sobranceiro à destruída “ermidinha”, daria, mais tarde, o povo, por corrupção linguística, o nome de “ Penedo da Miadinha”. Um ermitão assistia os devotos, ao longo dos tempos, religiosamente, mas a vida solitária nesta função desapareceu na segunda metade do século DEZOITO, altura em que um casal se instalou no sítio da Peneda, em vivência permanente. Nasceu dele o primeiro filho natural da Peneda, o qual foi baptizado com recurso a dois homens! Mas como o direito canónico não autorizava como padrinhos, duas pessoas do mesmo sexo, foi este sacramento ferido de nulidade. No Soajo, com este nascimento, davam-se os primeiros passos, para que na muito antiga “branda” de gados vacum e cavalar, dos soajeiros da vila, se originasse uma nova povoação em sítio secularmente ermado em tempos das frígidas neves! Sim, no Soajo, como paróquia, porque a Gavieira durante séculos foi apenas um simples lugar de Soajo e, mais tarde, também durante mais séculos era anexa, e não paróquia (freguesia) independente! E no Soajo, porque sob o ponto de vista do direito civil/administrativo, só Soajo existia, ainda no século XIX, com a qualidade de entidade autárquica, com conformidade administrativa! Nasceu, portanto, o primeiro soajeiro, com a categoria de “penedense”, na segunda metade do século dezoito, curiosamente, com o primeiro sacramento ineficaz, por não ter madrinha! Mas, presentemente, há por aí muitos “falsos diáconos” que desejam “baptizar” todos os soajeiros, de “penedenses”, embora sem padrinhos e madrinhas, desconhecendo que as suas “sagrações” não são anuláveis, porque nascem também nulas! Em 1931, Raul Proença, não considera os soajeiros “penedenses”, mas sim os “penedenses” soajeiros, pois descreve que a Senhora da Peneda fica na SERRA DE SOAJO, tendo como ponto culminante o Outeiro Maior com 1415 metros de altitude. Disse que se encontrava esta serra granítica revestida de magníficas florestas de carvalhos, de azevinhos e de arandos (uvas do monte), e o santuário de peregrinação famosa, situou-o num vale coberto de carvalhos, junto de um enorme rochedo de cerca de 300 metros de altura (Penedo da Ermidinha) tendo num dos flancos água a jorrar em cascata.


2. ARCUENSE AVISADO? - Fiquei a saber, uma vez mais, que a serra em que as montanhas se situam a nascente do Vez, e entre Minho e Lima, se chama “serra da Peneda”, pelo que escreveu na dissertação de mestrado, o jovem arquitecto Fernando Cerqueira Barros, arcuense que suponho ser natural da freguesia do Vale. Ainda mais tomei (des)conhecimento que, a considera em toda a sua extensão territorial, não deixando sequer uma pequena “fatia” a sul, para encaixar uma suposta “serra de Soajo”, como atrevida, ignorante, e infundadamente tentou “fundamentar” ao escrever, pela primeira vez, em 1981, a geógrafa francesa Geneviève Coudé-Gaussen, em obra de natureza científica! Sendo arcuense o arquitecto Cerqueira Barros, à semelhança do seu entrevistador, creio não desconhecer os escritos sobre a serra de Soajo, publicados no “Noticias dos Arcos” e na “Voz de Soajo”. Armando falsidades, persistindo, intencionalmente, com o disparatado nome “serra da Peneda”, para tentar fazer acreditar erros e/ou mentiras! Ao proceder-se assim, deseja-se matar o genuíno nome que, em obras de feição científica, em exclusivo, atravessou, transversalmente, os séculos, até ao aparecimento dos agrupamentos das serras, por despropositado convencionalismo, de Gerardo Pery, em 1875, que as consubstanciou nos agregados “transmontano, beirense e transtagano”. Não logrou subsistência duradoura esta classificação, por aparecimento do mais pertinente critério de Paul Choffat, criador do agrupamento “galaico-duriense” que acomodou as serras nortenhas, em 1907, inserindo, todavia, o nome, serra de Soajo, sobre o espaço físico e paisagístico da serra Amarela! Assim se deu azo a que se fortalecesse e se tornasse eficaz o disparate da substituição da, serra de Soajo, pela “da Peneda”!!!... É espantoso que algumas pessoas, à semelhança do que aconteceu com o sabujo, ridiculamente, pretendam que as asneiras ganhem o estatuto de verdade, como se esta não fosse um valor prezável!

3. ALGUMAS PERGUNTAS – Desconhece o novel e distinto arquitecto, a quem endereço parabéns pelo admirável sucesso académico alcançado que, a serra, mudou de nome, não por razões de rigor científico, mas por razões de erros e/ou mentiras? Procedeu, o arquitecto, a pesquisas e reflexões que lhe permitam com sustentabilidade adoptar com segurança o nome da serra, ou limitou-se a seguir uma corrente de informação deformada? Acha que, Paulo Choffat, não mentiu e/ou errou, apesar de saber que o professor alemão na Universidade de Rostock, M. Link, mineralogista e botânico, usou, serra de Soajo, e não o falso nome “de Peneda”? É que Link, reputado universitário e cientista, descreveu com grande rigor os assuntos recolhidos nas visitas feitas a Portugal, percorrido de lés a lés, nos anos de 1797 a 1799 e, depois, nos primeiros de 1800. O novíssimo santuário de «Nossa Senhora do PENEDO» foi por ele inserido num «vale agradável coberto de floresta de castanheiros e carvalhos e rodeado de rochedos», no ambiente geográfico da «serra de Soazo». Link, afinal, distinguiu bem, um vale da serra com um santuário, de uma serra já baptizada – a de Soajo! Também, a serra Amarela, foi situada a sul do rio Lima, depois de passar o modesto «burgo de Soazo», a caminho da serra do Gerês. Teria razão, Choffat, para dizer que, a serra de Soajo é a Amarela, sabendo que Link as distinguiu rigorosamente e, as situou nos seus devidos lugares? Saberá que Choffat, citou, na publicação que derrubou a solidez do nome - serra de Soajo -, só meia dúzia de livros, entre os quais a obra “Viagens em Portugal”, de M. Link, editada em 1805? Arquitecto Cerqueira Barros, sei que vai continuar a descrever as “brandas”, mas poderá dizer em que freguesia, irá situar a da Seida (a de maior número de cortelhos desta serra e, ao que parece de todas as serras de Portugal), partilhada pelos soajeiros da Várzea, Paradela e Cunhas? Continuará a usar o aldrabado nome - “serra da Peneda” -, ou vai corrigir a denominação, para situar a “branda da Seida” na muito ANTIGA e fundamentada serra de Soajo? Participa no site «Serra da Peneda», na Internet em “serradapeneda.blogspot.com”? Concorda, com a disparatada descrição nele contido: «a serra da Peneda é a 5ª elevação de Portugal elevando-se a 1416 metros de altitude. Também conhecida como Outeiro Maior, ou Alto da Pedrada, na área envolvente situam-se as serras do Laboreiro, do Soajo, e a Amarela»? Esquecer-se-iam das serras, da “Strica”, de Cabreiro, da Gavieira, de Cabana Maior, etc.?! Saberá dizer, onde se situa a montanha que tem a máxima altitude da serra de Soajo e, qual a sua grandeza? Será que fica no Coto das Águias, no Coto Velho, ou no Mezio?! Choffat colocou o nome, serra de Soajo, no espaço da Amarela, mas neste “pouco rigoroso” site, parece colocar-se a Amarela, na Peneda! Concorda com qualquer destas afirmações? No seu novo trabalho irá colocar a conhecida “corga das Forcadas” (que corre no declive da maior montanha da serra – Outeiro Maior - em direcção à Seida) como separadora das freguesias de Cabreiro e Gavieira, como consta no mapa das freguesias usado pela câmara dos A. de Valdevez (talvez por “decisão dos lobos” que a atravessam), ou situa-a no Gião, com curso para o lugar da Igreja, no Vale? O pinhal de Soajo mandado proteger pelos reis de Portugal (à semelhança do de Leiria), já se situaria, numa inexistente “serra da Peneda”, ou, na “Montaria da Peneda”, ou, ficaria na Montaria do Cabril, a sul do rio Douro?!

4. ARQUITECTA, COM RAÍZES NO SOAJO, DISCORDARIA! – Uma descendente, dos “Cerqueira” que migraram da paróquia do Vale, em Valdevez, para o município de Soajo, na primeira metade do século XIX, seguramente, com bisavô e avó, nascidos em Soajo, e com património na vila de Soajo, também, no mês de Dezembro de 2011, concluiu o mestrado na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, com a honrosa classificação de dezanove valores, precisamente, a mesma nota que obteve na mesma escola, na sua licenciatura de seis anos de duração, onde entrara na segunda posição (20 valores foi o da primeira) no Porto, mas tendo sido primeira na U. do Minho no concurso a arquitectura! Ela gosta da genealogia familiar, e, sabendo que tem antepassados comuns com um seu colega classificado de excelente, ficou muito regozijada ao saber do júbilo que sentiram os avós “Cerqueira”, das diferentes gerações, por tão distintos resultados dos seus “n” netos! Mas convirá dizer que a arquitecta Ana Rita Lage Mier de Oliveira, para um trabalho desta responsabilidade atentaria na toponímia devidamente fundamentada em artigos do prestigiado jornal “Notícias dos Arcos”, de que já era assinante o seu bisavô de Soajo. Como não apreciaria enganar os professores da sua Faculdade e por respeito à verdade, usaria o nome, SERRA DE SOAJO, numa tese académica, se optasse por temas relacionados com o espaço montanhoso entre os rios Vez, Minho e Lima! Congratulações também para a Ana Rita, extensivos aos seus ascendentes, pela brilhante carreira estudantil e, ainda, pela douta e acertada opção que faria elegendo o nome - SERRA DE SOAJO! Atingiria os vinte valores?

Serra de Soajo, 30 de Janeiro de 2012
Jorge Ferraz Gonçalves Lage

11 de Janeiro de 2012

Dois GNR afastados por irem «bêbedos» a um bar

A GNR de Viana do Castelo decidiu retirar de funções operacionais dois militares, em serviço no destacamento de Arcos de Valdevez, por alegada «conduta imprópria» e comprotamento «indecoroso», num estabelecimento de diversão noturna.

De acordo com a Lusa, em causa está uma denúncia sobre o comportamento e compustura «sem regras» e «exagerado», de dois militares, na noite de 24 para 25 de Dezembro. Os dois estariam, alegadamente, sob influência de álcool, fardados e durante o período serviço.

De acordo com uma fonte daquela força de segurança de Viana do Castelo, os militares «terão tido uma conduta imprópria num estabelecimento de diversão nocturna de Arcos de Valdevez, sendo que os factos foram denunciados a este comando dias depois».

Os dois militares prestam serviço no Posto Territorial de Arcos de Valdevez e a má conduta «terá tido origem no consumo manifestamente excessivo de álcool».

«O comportamento dos militares naquela noite ter-se-á consubstanciado num atitude de desregramento, que não se coaduna com a postura dos homens e mulheres que servem nesta instituição», explicou a GNR.

Os dois militares enfrentam agora um processo disciplinar, «sem prejuízo de eventual denúncia criminal, caso se verifiquem indícios de práticas criminosas», com vista «a apurar os factos ocorridos».

Os dois membros da GNR foram «retirados do serviço operacional», e mantêm-se em funções administrativas «até à conclusão do referido processo».

Outros «rumores» dizem que no interior daquele estabelecimento «terão sido efectuados disparos por estes militares», mas, segundo a GNR, «tal facto, face a uma primeira averiguação, sumária, não se terá verificado». TVI24

5 de Janeiro de 2012

Ex-seminarista diz-se burlado por jovem padre do Alto Minho

O ex-seminarista que se diz burlado em 20 mil euros por um jovem padre do Alto Minho e antigo amigo enviou o processo para o Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, por «falta de resposta do Tribunal Eclesiástico».


«Pela falta de resposta, quer por parte de D. Anacleto Oliveira, como também por parte do Promotor de Justiça do Tribunal Eclesiástico da Diocese de Viana do Castelo (...), tomei a liberdade de enviar uma carta registada para o Reverendo Monsenhor Gianpaolo Montini, promotor de justiça do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, a solicitar intervenção no caso», disse hoje à Lusa o ex-seminarista Marco Ribeiro.

No início de 2010, o ex-seminarista Marco Ribeiro entregou ao padre Filipe André 25 mil euros, oriundos «de uma venda imobiliária», pois o amigo pároco tinha-lhe dito que na residência paroquial havia um cofre de «60 quilos», que ninguém conseguiria roubar.
Diário Digital / Lusa

2 de Janeiro de 2012

Trailer do documentário: "Alto do Minho"


Trailer "Alto do Minho" from MIGUELFILGUEIRAS on Vimeo.


Director MIGUEL FILGUEIRAS / Direction of Photography PAULO ALEGRIA / executive producer JOSE FILGUEIRAS / Music NORBERTO LOBO / Sound DIOGO AMARO / Sound production DIOGO AMARO / JULIO VIANA / Post Production Sound Editor PAULO MIRANDA / Illustration PAULO BARROS / Text EDUARDO SARDINHA / Translation LIGIA MARTINS

Alto do Minho, mais do que um documentário é uma impressão. Parte de terras baixas para a época alta, para mostrar diversos matizes. O antes e o depois, que são os mesmos ciclos Atlânticos imutáveis da paisagem montanhosa, apesar de tudo. E o alto. Onde o profano se confunde com a fé como o passado com a actualidade. Alto do Minho, mais do que um filme é um retrato que mexe. Relances que podem ter ao fundo o épico de Gance, mas que são uma observação etnográfica pop, à superfície do sentimento latente. Congela anónimos e paisagens de romarias, geografias em planos numa montagens impressionista, de uma subjectividade a roçar o aleatório. 

Alto do Minho is more than a documentary, it’s an impression. It sets off from the lowlands to the high season, to show different shades. The before and after, which are, after all, the same immutable Atlantic cycles of the mountainous landscape. And the upper lands. Where the profane is mistaken for faith, such as the past with present times.  Alto do Minho is more than a movie, it’s a moving portrait. Glimpses that may bear the epic background of Gance, but that are a pop ethnographic observation, which rises up to the dormant feeling.  It freezes up the anonymous and landscapes of popular festivals, geographies in shots with an impressionist editing, impregnated with an underlying randomness.

28 de Dezembro de 2011

Autarquias apagam a luz para reduzir a factura

Segundo fonte da autarquia monçanense, a medida pela qual se prevê apagar quatro horas a iluminação pública “pode ser objecto de acerto horário conforme as estações do ano” e “tem como finalidade reduzir os custos da autarquia com a energia eléctrica”, nomeadamente ao nível do IVA, cuja taxa passou de 6 para os 23 por cento, mas “mantendo em funcionamento o essencial com níveis de segurança, qualidade e eficiência”.  Desta forma, a iluminação pública será desligada entre a 1h00 e as 5h30, “gerando uma poupança anual estimada em 140 mil euros para os cofres da autarquia”, acrescentou a fonte.

Ponte da Barca prevê reduzir mais de 100 mil euros

Além da poupança financeira, o município justifica a medida, que já foi aprovada em reunião do executivo camarário com a necessidade de dar cumprimento ao ‘Pacto de Autarcas’, em que o município assumiu a redução de consumos energéticos com implicações nas emissões de CO2.

Este tipo de medidas tem sido seguido em vários concelhos do distrito de Viana do Castelo, como é o caso também de Ponte da Barca, que espera uma “forte redução” na factura da iluminação pública, através de medidas de controlo e racionalização dos consumos.

A estimativa, segundo fonte daquela autarquia, prevê uma redução anual em mais de 100 mil euros, no que toca à iluminação pública, através da colocação de lâmpadas de baixo consumo e de tecnologia LED.  No concelho de Ponte da Barca a iluminação pública já passou a ser desligada entre a 1h00 e as 6h00.

Caminha em “racionalização” desde o início do ano

Em Caminha, desde o início do ano que o Município solicitou à EDP a “racionalização” dos custos. Na base desta decisão estiveram os novos tarifários de preços bem como o aumento do IVA para 23%. Desde Outubro que têm sido realizados testes na iluminação pública.   Nas zonas de Vila Praia de Âncora, Moledo, Cristelo, Vilarelho e na sede do concelho, Caminha, notaram-se alterações pontuais.

O processo neste concelho prevê a redução a partir das 21h30 nas freguesias de Vila Praia de Âncora, Moledo e Caminha. As luzes não são apagadas, apenas a potência da luz vai ser reduzida, de forma a assegurar a manutenção da segurança pública no concelho.

A redução de potência será de dois terços mais concretamente nos locais: Parque 25 de Abril e EN13 na Marginal em Caminha, Parque Ramos Pereira e EN13 entre rotundas em Vila Praia de Âncora, e Ecovia de Moledo a Vila Praia de Âncora. A potência vai ainda ser reduzida nas EN13, EN301 e EN305 entre aglomerados populacionais, de forma a manter iluminadas as áreas em que existam habitações e onde existam intersecções com outras estradas.

V.N. Famalicão quer reduzir um terço de dois milhões

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão está a lançar um plano de poupança do consumo de energia eléctrica nas estradas e outros espaços públicos do concelho, no âmbito de um conjunto de medidas restritivas que têm por objectivo diminuir as despesas correntes.

Anualmente, a autarquia tem uma despesa de 2 milhões de euros em energia eléctrica, o que inclui a iluminação de estradas, equipamentos municipais e espaços públicos das 49 freguesias, mas pretende descer esse valor em cerca de um terço.

Em loteamentos e ambientes urbanos, onde a distribuição de electricidade é feita por rede subterrânea, está a ser desligado um por cada três postes de iluminação pública, sempre que esse desligamento não ponha em causa a segurança pública nocturna.

Em curvas ou outras zonas de fraca visibilidade, por exemplo, não haverá restrições ao consumo.  Nas zonas rurais, os operadores de distribuição de electricidade que actuam no concelho estão a adiar em 60 minutos a ligação da energia nocturna e a antecipar em 90 minutos o desligamento matinal.

A aplicação destas restrições ao consumo de energia entrou em funcionamento no mês de Maio. (Fonte: Correio do Minho)

Video: Ponte da Barca, Comércio Local com História

19 de Dezembro de 2011

O CÃO “CASTRO LABOREIRO”, POR SER NOME FALSO, GERA POLÉMICA

Jorge Ferraz Lage
O CÃO “CASTRO LABOREIRO”, POR SER NOME FALSO, GERA POLÉMICA…
Por Jorge Ferraz Lage

CÂMARA MUNICIPAL PENALIZA SOAJO –
A falta de sensibilidade por parte da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e da sua instituição satélite que é a ARDAL, promotoras e patrocinadoras da 4ª exposição canina de Arcos de Valdevez, foi causa de reacções em privado e públicas que envolveram também a minha pessoa, suscitando estimações e depreciações. Emitiram-se juízos que me dispenso de avaliar, cabendo aos leitores se entenderem, concordar ou não, no todo ou em parte, na certeza porém de que, para mim, o que mais importa, são a procura do bem e das verdades essenciais em prol da defesa dos justos, legítimos e superiores interesses de Soajo e, concomitantemente, do município. As incompreensíveis posturas dos agentes promotores do evento não foram para mim verdadeira surpresa, porquanto já nos habituaram noutras ocasiões a procedimentos irrazoáveis (o processo de reconhecimento da vila de Soajo é um bom exemplo de “partidarite” de baixo nível).

Cão Sabujo de Soajo
Se rigor científico tivesse havido e se tanta incúria não campeasse a autarquia municipal teria colhido mais e melhores benefícios. O cão de Soajo – o sabujo -, é património genético e cultural da autarquia municipal arcuense, por ser de Soajo, mas o seu nome actual não está em consonância com o que a história lhe consagrou. Em termos turísticos e para outros fins, não se pode ignorar que só se procuram as povoações quando se sabe que existem. A quota de conhecimento de Soajo, que é relativamente baixa, seria muitíssimo maior, se fosse feita a defesa do verdadeiro nome desta preciosidade histórica, venturosamente, ainda viva. Com total certeza, significativas mais-valias surgiriam para a pátria do sabujo, e para a preservação do sabujo, pois suscitar-se-ia muito mais interesse por parte de criadores ao saber-se que foi durante séculos a fio, o cão preferido pelos reis de Portugal!

Deformarem e desacreditarem a sua figuração em exposições e na comunicação social é de todo inaceitável. Há alguns anos os sabujos tornaram-se numa referência emblemática de Soajo ao conformarem o seu brasão de armas, a sua bandeira, e o seu selo. São considerados elementos identitários de Soajo e com toda a genuína legitimidade. Figuram os sabujos na bandeira de Soajo de pleno direito, por correctas decisões e não como consequência de erros de informação. Mas ao pretender-se não associar o nome sabujo à raça existente, que alguém viciou com o nome “castro Laboreiro” é enfraquecer a sua importância como cão que teve historicamente uma utilização invulgar por parte de monarcas de Portugal, de Soajo e dos soajeiros. O poder camarário alimentou disparates com acções e dinheiros municipais, que também são de Soajo, ao ajudar a fomentar o nome errado do cão de Soajo! São procedimentos intoleráveis que repudiamos com total veemência. Assistir passivamente a perniciosas atitudes dos promotores de exposições caninas, em Arcos de Valdevez, ou noutras localidades e/ou autarquias, pactuando com a adopção de nome adulterado do Sabujo, é ser irresponsavelmente colaborador de iniquidades.

E o facto ao promoverem, dentro de portas, a tão viciada denominação do sabujo, é algo que demonstra bem a falta de apreço que tem pelos soajeiros do passado e do presente, e ainda pela verdade! Sabemos que contam com a tolerância ou quiçá com a cumplicidade do poder local de Soajo, mas as razões disso nem vale a pena aduzi-las! Felizmente que tamanhas adversidades à história do sabujo lograram pronta reacção pública por parte de Amândio Peixoto, cronista sagaz, credível e defensor acérrimo dos interesses de todo o município de Arcos de Valdevez através sobretudo da sua abalizada coluna “Quentes e Boas…”, inserta no prestigioso jornal “Notícias dos Arcos”. Esta posição pública, confesso, foi suficiente para não se ficar espantado com o insólito termo - “descaramento” - ao ler “Roubaram o Sabujo…”, porque, objectivamente, o anonimato do “descarado” não apareceu carregada de ambiguidade.

Estando fora do contexto, só a incrédulos ou aos mais distraídos, é que não seria perceptível a desfocagem. Para estes, todavia, ficou a suspeição suspensa e em reserva só até ao momento em que houve clarificação de tão insinuante miragem… Outra intervenção, por causa da abordagem do nome do cão participante na supra mencionada exposição, e do afirmado em “Roubaram o Sabujo…”, foi feita pelo admirável Soajeiro, Dom Abílio Ribas, digníssimo Bispo emérito de São Tomé e Príncipe, o qual desde o regresso à sua soajeira Várzea de ditosos afectos, não tem deixado os créditos de Soajo cair em desprestígio, por mãos alheias, quer resultem de atitudes voluntária ou involuntariamente assumidas. Na sua essência, de facto, não ficou agradado com o nome veiculado pelo N.A., ao entender como outros que um maior cuidado deveria ter existido sobre o nome do cão, para não ferir susceptibilidades, sabendo-se que não é nome consensual por provas credíveis antes apresentadas, publicamente.

O facto de o C.P.C. (Clube Português de Canicultura), fundado com estatuto próprio só em 1990 (quando foi feito o estalão do sabujo havia apenas uma mera “Secção de Canicultura” no Clube dos Caçadores Portugueses), ter herdado as asneiras sobre o nome do cão de Soajo, ignorando ou fazendo que ignora os erros cometidos ao tempo da feitura do estalão na obra “SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DAS RAÇAS CANINAS NACIONAIS”, não impede de, publicamente, se repudiarem as asneiras que o C.P.C., “oficialmente”, assimilou! Dom Abílio tomou posição pública em defesa do nome verdadeiro do cão que durante tantos séculos foi causa de extraordinárias benesses ao povo de Soajo, todavia, desta vez, como noutras, reagiu com uma delicadeza que só mora em pessoas de nobre carácter, de invulgar valor intelectual e humanismo. Mas se é certo que nunca recorre a descortesias, também não deixa de ser verdade que não abdica dos seus convencimentos e estimações, até lhe demonstrarem com argumentos seguros e provas que não tem razão. (Clique aqui para ler o artigo completo.)

15 de Dezembro de 2011

A preservação do lobo ibérico como prenda de Natal

Chega a interagir com o público dando uivos e aproximando-se dos visitantes. Faia é já considerada a principal atração do Centro de Recuperação do Lobo Ibérico (CRLI) de Mafra, que necessita de donativos para preservar a espécie.

Graças à sua juventude, este animal selvagem tem um comportamento ainda pouco destemido e sociável, permitindo ao centro sensibilizar o público para a preservação da espécie, ameaçada ao fim de décadas de perseguição pelo Homem por causa da caça e dos ataques a animais domésticos, em resultado da redução de presas naturais.

A sofrer da redução de donativos por causa da contenção económica, que levou este ano à dispensa de colaboradores, o CRLI, já visitado por seis mil pessoas em 2011, olha para a crise como uma oportunidade para defender causas, sobretudo no período do Natal.

"Temos de ser mais selectivos nas prendas que oferecemos e oferecer uma adopção [de um lobo] é uma forma de ajudar o centro e contribuir para uma causa ambiental", refere o biólogo Francisco Fonseca, presidente do Grupo Lobo, responsável pelo CRLI, onde coabitam mais seis lobos num ambiente semelhante ao seu habitat natural.

É o caso de Soajo, irmão de Faia. Os dois foram os últimos a nascer no centro, há três anos, mas o macho apenas se deixa observar atraído pelo jipe que distribui a comida pelos animais. Uma história muito diferente daqueles que vêm de jardins zoológicos e, por sinais de velhice, são dispensados e acabam por passar os últimos anos de vida no CRLI.

"Procuramos limitar o acesso dos visitantes porque queremos que os lobos tenham condições de vida e não queremos causar uma grande pressão sobre os animais", explica Francisco Fonseca.

Lobito chegou ao centro há um ano, depois de ser resgatado pela GNR de um cativeiro ilegal no norte do país, e ainda está longe dos olhares dos visitantes, que esta semana deixaram de poder observar o lobo Prado. A sua morte veio entristecer o Natal no CRLI, 16 anos depois de ali ter nascido.

O CRLI, único no país, pretende integrar o programa europeu de reprodução de lobos em cativeiro, para vir a receber lobos que já não trazem mais-valia genética ao programa, evitando assim o seu abate ou o realojamento em jardins zoológicos. (Fonte: Jornal de Noticias)

Plantar uma árvore por cada português no Parque Nacional

Ministra Assunção Cristas
É este o objectivo da ministra Assunção Cristas

A ministra do Ambiente, Assunção Cristas, anunciou que está a ser preparada uma espécie de «Vamos Plantar Portugal», dotando o país de uma nova árvore por cada habitante.

«Vamos trabalhar para que seja possível, na altura em que for mais conveniente, montar uma grande acção assente no voluntariado para plantar ou semear Portugal. Se por cada português conseguirmos ter mais uma árvore, o nosso PIB aumenta, a nossa riqueza aumenta, a nossa contribuição para a diminuição das alterações climáticas aumenta, porque a floresta é um grande pulmão de sequestro de carbono», afirmou.

A ministra falava no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), em Terras de Bouro, onde foi assinalar o fim do Ano Internacional das Florestas.

Com calças de ganga, calçado desportivo e de sachola na mão, Assunção Cristas procedeu à plantação de duas árvores e ainda lançou uma semente.

A oportunidade foi aproveitada para «oficializar» a fusão entre o Instituto para a Conservação da Natureza e a Autoridade Florestal Nacional, que dão lugar ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

O objectivo é «aumentar a produção florestal, mas ao mesmo tempo ter uma produção sustentada, com grande cuidado na conservação da natureza».

Uma fusão que, garantiu a ministra, não implicará qualquer despedimento, mas sim a racionalização de meios, de forma a libertar mais gente «para estar no terreno» em missão de fiscalização e de vigilância.

«Mais gente no terreno, em missão de prevenção, é absolutamente essencial. O combate [aos incêndios] é um sorvedouro de dinheiro que só nos enche de tristeza», salientou.

Assunção Cristas lembrou que Portugal importa, por ano, 200 milhões de euros de matéria-prima para a indústria da madeira, uma cifra elevada para um país cujo território está 63 por cento coberto por floresta.

Este ano, no PNPG, foram plantadas cerca de 20 mil novas árvores, quando o objectivo fixado inicialmente seria uma árvore por cada um dos 10 mil habitantes do Parque.

Segundo Lagido Domingos, director do PNPG, foram ainda recuperados 300 hectares de pastagens e criados 100 hectares de faixas de gestão de combustível.

Lagido Domingos disse ainda que, além dos incêndios, a propagação das espécies invasoras é outra das principais ameaças ao PNPG. (Fonte: tvi24)

Francisco Araújo critica reforma das freguesias

“Nada acrescenta” à contenção da despesa pública, e “não faz qualquer sentido em termos económicos, de administração e da relação de proximidade entre eleitor e eleitos”, apontou Francisco Araújo, eleito presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez pelo PSD há 22 anos.

Garante que em causa está o “abandono do território e das populações” através do “elo mais próximo que têm nessa ligação”.

“Está a ser lançada uma discussão que não tem utilidade nenhuma e cujo peso na despesa pública é praticamente zero”, disse ainda.

Mais de 20 em vias de extinção

No caso concreto de Arcos de Valdevez, Araújo admite que das 51 freguesias actuais “mais de vinte” poderão ser extintas, nos moldes previstos pela reestruturação da administração local. E insiste que “reformar não pode ser sinónimo de centralizar”.

No distrito de Viana do Castelo 222 freguesias não cumprem

No caso do distrito de Viana do Castelo, das 290 freguesias, pelo menos 222 não cumprem os requisitos do Livro Verde previstos no processo de reforma lançada pela secretaria de Estado da Administração Local.

Rui Solheiro, presidente da câmara de Melgaço e representante dos autarcas na direcção nacional do Partido Socialista, assume que no caso concreto das fusões de freguesias o actual governo cometeu um “erro grave” ao apresentar “indicadores de régua e esquadro, sem aplicação no terreno”. Sobretudo “sem consultar os representantes dos municípios e das freguesias”. “Um processo desta importância deveria passar por um grande consenso e ntre todos. Não sendo contra a racionalização de meios e recursos, porque nas zonas urbanas este pode ser o caminho a fazer, nas rurais é algo impensável”, comentou Rui Solheiro.

Solheiro pede distinção entre rurais e urbanas

O autarca socialista, em funções há mais de 25 anos em Melgaço, aponta ainda a necessidade de “distinguir” qualquer “objectivo economicista” nesta medida. “Nas zonas rurais estamos a falar de pessoas [presidentes de junta] que ganham 274 euros por mês e que fazem de tudo. Não conheço outro serviço público mais barato que seja feito com este sucesso e proximidade. É esta a poupança que se quer apresentar à troika?”, questiona.

Por isso, apela ao governo para uma “distinção clara” entre os problemas das freguesias rurais e urbanas, para que “estas populações não venham a perder serviços que já são mínimos”. Recorde-se que a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) aprovou este mês, em congresso, uma moção em que rejeita “claramente” a Reforma da Administração Local proposta pelo governo, porque “não preconiza um modelo adequado à realidade social portuguesa”.

“A ANAFRE e as freguesias entendem que o modelo de reforma do poder local deve obedecer ao princípio democrático da consulta popular e auscultar as populações”, afirma-se no documento das conclusões do congresso nacional realizado em Portimão. O secretário de Estado da Administração Local, Paulo Júlio, já admitiu que esta reforma poderá levar à extinção de 1.500 freguesias, mas garantiu também a “abertura” do governo para discutir o processo.  (Fonte: Correio do Minho)